Eles representam milhares de animais soltos em Londrina. Uma população que se divide entre os semi-domiciliados, que perambulando pela rua durante o dia, buscando suas casas para comer e dormir à noite, e os que foram abandonados pelos donos. Animais que podem expor os londrinenses às zoonoses.
Apesar de Londrina estar em área considerada de risco para as zoonoses - doenças transmitidas por animais ao homem - pela proximidade com São Paulo, estado com ocorrência de casos de leishmaniose, o município acabou perdendo os recursos federais para a construção de um centro de zoonoses.
A Organização Não-governamental SOS Vida Animal aponta que 28 mil animais estão soltos nas ruas da cidade, o que contribui para o aparecimento de zoonoses.
O centro seria responsável pelo controle de animais e de doenças como a leishmaniose, toxoplasmose, leptospirose e dengue, com uma estrutura que compreenderia laboratórios, sala de cirurgia e curral para o recolhimento de animais.
Desde 2003, o município vem tentando concretizar a obra até que no início deste ano não conseguiu mais manter o convênio com o Ministério da Saúde para o repasse R$ 400 mil para a construção. Pelo convênio, a contrapartida municipal seria de R$ 180 mil.
''Quando fizemos a normatização técnica da obra constatamos que o custo seria de R$ 1,2 milhão. Solicitamos ao governo federal uma ampliação do repasse. Eles responderam que não tinham possibilidade de fazer esse aditivo'', afirma a diretora executiva da Secretaria de Saúde, Margarete Shimiti.
A diretora destaca que os recursos do ministério são destinados para a construção de centros em áreas de riscos. No Paraná, o governo liberou verba para Curitiba, São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) Foz do Iguaçu (cidade-pólo/Extremo Oeste), Cascavel (cidade-pólo/Oeste) e Maringá (cidade-pólo/Noroeste), além de Londrina.
Margarete lembra que uma equipe do Secretaria de Saúde chegou a visitar os centros de Curitiba e Foz do Iguaçu para elaborar o projeto londrinense.
A secretária acrescenta que o município tentou reduzir o valor total da construção para R$ 900 mil, não prevendo obras de esgoto, calçamento e iluminação.
''O município também deveria ficar responsável por arrumar recursos para o asfaltamento do acesso até o centro, que deveria ser construído perto da fazenda da UEL'', acrescenta Margarete.
Apesar do município não poder contar mais com o repasse federal, a diretora executiva afirma que os londrinenses não correm riscos de algum surto, já que a Vigilância Sanitária mantém as zoonoses sob controle.
''Estamos conversando com algumas entidades, como o Hospital Veterinário, para que nos ajudem. Mas o projeto continua aí. O ministério tem que dar uma alternativa. Se Londrina é uma área prioritária, o governo federal não pode exigir que o município faça um investimento desse montante'', afirma a diretora executiva.
O diretor do Hospital Veterinário (HV), Wilmar Marçal, considera grave a cidade não contar com um centro de zoonoses. ''Se uma criança ou adulto for mordido por um animal com raiva e o animal precisar ficar em quarentena, o município não terá como fazer isso. Eventualmente, temos socorrido eles. Mas é um problema, os animais abandonados na cidade. Não estou defendendo a volta da carrocinha. Porém, o poder público municipal tem que ter uma solução. São animais pontencialmente transmissores de doenças'', alerta Marçal.
Diariamente, o HV atende de 30 a 35 animais, sendo o maior hospital veterinário do Sul do País em número de atendimentos, funcionando 24 horas. Por mês são realizadas 20 castrações de animais, mediante o agendamento e o pagamento de uma taxa, que varia de R$ 25,00 a R$ 30,00.
A vice-presidente da SOS Vida Animal, Silvia Maria Arruda, afirma que não há concenso entre os membros da Organização Não-governantal sobre a criação de um centro de zoonoses.
''Um centro de zoonoses teria que ter um acompanhamento do SOS Vida Animal para que não houvesse sacrifício em massa de animais. Em outras cidades em que já existe o centro acontece essa matança. Não queremos isso em Londrina'', aponta Silvia, defendendo o controle da natalidade como forma de evitar as zoonoses. A diretora sugere a ampliação desse trabalho com mutirões de castração nos bairros em parceria com a prefeitura.

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