Londrina perde engenheiro que projetou Concha e barragem do Igapó


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

O engenheiro José Augusto Queiroz, uma das referências da engenharia londrinense, morreu nesta terça-feira (12) aos 88 anos. 


Londrina perde José Augusto Queiroz, o engenheiro que projetou a Concha Acústica e a Barragem do Lago Igapó
Londrina perde José Augusto Queiroz, o engenheiro que projetou a Concha Acústica e a Barragem do Lago Igapó | Gina Mardones- 29-04-2016
 


Com menos de um ano de formado, em 1956, ele foi responsável pelo projeto da Concha Acústica e, no ano seguinte, fez o projeto da barragem do Lago Igapó a pedido do prefeito Antônio Fernandes Sobrinho.


No seu currículo estão obras como a Santa Casa de Londrina e a participação nos projetos estruturais do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, o VGD, e o Estádio do Café. Ele ainda lecionou na UEL (Universidade Estadual de Londrina) por quase três décadas. Especializado em porto de mar, rios e canais, Queiroz sempre foi um homem cartesiano, de raciocínio bastante pragmático, adjetivos que ele mesmo conferia a si mesmo.  




Nascido em São José da Bela Vista, um pequeno distrito de Franca (interior do Estado de São Paulo), em 1931, aos oito anos mudou-se com a família para a região de Londrina. Graduado pela Escola de Engenharia da UFPR (Universidade Federal do Paraná ), Queiroz passou em concurso público na UEL em 1974 para ministrar a disciplina de mecânica de estruturas, tornando-se livre-docente em 1980, título conferido apenas para portadores do título de doutor, e que atesta uma qualidade superior na docência e na pesquisa. Após três anos na prefeitura fundou a JCM-Queiroz, especializada em projetos estruturais, onde atuou ativamente até 2017.


DESPEDIDA


O diretor do Centro de Tecnologia e Urbanismo da UEL, Aron Lopes Petrucci, lembrou que Queiroz foi professor-fundador do curso de Engenharia Civil. “Ele era muito exigente e muito bom professor. Era excelente nas explicações e se preocupava com a formação técnica e como pessoa dos novos profissionais. Ele foi uma das pessoas mais queridas e que mais se preocupou com o curso. Para se ter uma ideia da paixão dele, ele saiu da UEL apenas com aposentadoria compulsória, reclamando de ter sido afastado. Ficou dando aulas até quando a lei permitiu”, destaca Petrucci.


O diretor ressalta que muitos dos professores que dão aula hoje na UEL foram alunos dele. “Ele formou vários professores. A primeira geração desses professores já se aposentou. A segunda geração ainda está aqui. Deu estrutura de sustentação para a obra do Vilanova Artigas, construiu a barragem do Igapó 1, entre outras obras. Realmente ele foi uma pessoa excepcional.”


Em entrevista à FOLHA nos 60 anos da Concha Acústica, Queiroz revelou que a estrutura no Centro foi o projeto mais desafiador que teve durante sua carreira. “Naquele tempo tinha pouca gente para calcular aquele projeto com uma régua de cálculo", instrumento que ele classificava como o computador da época.


O presidente do Ceal (Clube de engenharia e Arquitetura de Londrina), Carlos Jose Marques da Costa Branco, relembra que ele foi presidente da entidade nos anos de 1974 e 1975. Costa Branco relembra que ele foi seu professor.  "Ele foi pioneiro no uso de concreto protendido em Londrina. Ele sempre pesquisou bastante. Sempre tinha que pensar um pouco mais", ressalta.  Ele enaltece a Concha Acústica como uma das obras mais icônicas de Queiroz. "É uma laje encurvada e inclinada para frente. Em princípio parece instável, mas tem vigas subterrâneas ligadas à uma sapata. Tem uma fundação diferente", ressalta.


"Uma das coisas que sempre falei para ele fazer foi escrever um livro da história da engenharia de Londrina. Ele trabalhou na prefeitura e fez um monte de coisa", enaltece Costa Branco.  


Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Queiroz calculava que tinha construído cerca de 4 milhões de metros quadrados em todos os Estados do Brasil. Quando chegou a Londrina, a cidade contava com apenas cinco edifícios e cerca de 30 mil habitantes. 


O velório será realizado na quinta-feira (14), no Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina). A demora para o início é decorrente dos trâmites para doação dos órgãos.



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