Londrina pede beatificação de Madre
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terça-feira, 24 de março de 1998
Adriana De Cunto 
ReproduçãoDedicaçãoMadre Leônia: trabalho de evangelização de pobres e doentesLondrina poderá ter uma beata católica. A congregação das Irmãs Claretianas está pedindo a introdução da causa de beatificação da Madre Leônia Milito, religiosa italiana que viveu na cidade 23 anos e fundou aqui, junto com o primeiro arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes, a Congregação Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, ordem que reúne mais de 400 irmãs e muitos seguidores em vários países.
É o primeiro processo de beatificação que se inicia em Londrina. Esse é um dos primeiros estágios do processo de canonização, com a qual a pessoa é considerada santa pelo Vaticano. O Brasil não tem nenhum santo católico, e até hoje apenas um beato: José de Anchieta.
O primeiro passo para dar início ao processo já foi dado. Uma missa, realizada semana passada na Catedral de Londrina, marcou o lançamento da causa. A missa, celebrada pelo arcebispo Dom Albano Cavallin, comemorou ainda os 40 anos da Congregação das Irmãs Claretianas, criada oficialmente no dia 19 de março de 1958. A data mereceu até uma atenção especial do Papa João Paulo II, que enviou ontem à Casa de Fundação da entidade um telegrama felicitando pelas quatro décadas de trabalho em prol da evangelização, dos pobres, doentes e marginalizados.
Dentro de poucos dias o processo entra na segunda etapa, quando Dom Albano Cavallin nomear um Tribunal Eclesiático, constituído por padres, advogados e outros profissionais para estudarem os escritos e as obras de Madre Leônia Milito. Conforme a avaliação do Tribunal, o arcebispo pode decretar a religiosa como Serva de Deus. Se o pronunciamento for a favor, o processo será encaminhado para o Vaticano. Dom Albano Cavallin já adiantou dois nomes que vão compor o Tribunal: o Monsenhor Vítor Gropelli e o professor César Braga, que trabalha em um seminário da Cidade.
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A postuladora da causa de beatificação, Irmã Tereza Almeida, não sabe quanto pode durar o processo. Ela conta que a Madre Leônia Milito deixou muitos escritos, diários que levarão bastante tempo para serem analisados pelo Tribunal.
Irmã Tereza Almeida diz que o lançamento da causa foi planejado para acontecer nas festividades dos 40 anos da Congregação. Ela conta que primeiro foi preciso fazer a coleta de todo o material (cartas, diários, documentos) deixado pela Madre, que morreu em 1980, vítima de um acidente automobilístico quando viajava de Londriana a Maringá, próximo ao trevo de Cambé (no local da morte foi erguida uma capela). A postuladora justifica a introdução do processo dizendo que Madre Leônia Milito viveu intensamente de acordo com o Evangelho e é um modelo a ser seguido. O que difere o beato e o santo das outras pessoas é o grau de união com Deus, o crescimento nas virtudes, superando toda e qualquer mediocridade, ensina a postuladora.
Ela admite que fora da Congregação das Irmãs Claretianas, a Madre Leônia Milito não é muito conhecida. Mas espera que a situação mude com o desenrolar do processo. Tanto que na semana passada foi lançado um resumo da biografia da Madre Leônia Milito, escrito pela Irmã Tereza, chamado Madre Leônia, a Missionária dos Cinco Continentes.
Três aspectos são exigidos para que a beatificação de uma pessoa, explica a postuladora: fama de santidade, exercício das virtudes do Evangelho em grau heróico e ausência de obstáculos. Em uma apostila preparada por Irmã Tereza de Almeida, a Congregação explica que, por fama de santidade, entende-se a opinião generalizada do povo ou da comunidade, manifestada publicamente, de modo espontâneo e constante sobre a vida virtuosa da pessoa, ou seu martírio e milagres realizados, que levam o povo a venerá-la e encomendar-se a ela. A fama de santidade não desaparece com a morte, mas aumenta. Está baseada no exemplo de vida heróica a serviço de Deus e dos irmãos e irmãs.
Irmã Tereza de Almeida evita falar em milagres. Na opinião dela, o maior milagre de Madre Leônia Milito é promover uma transformação interior nas pessoas, tornando-as empolgadas com o Reino de Deus. A transformação é maior que a cura. O que é mais importante: uma vida física sem qualidade ou uma vida qualificada?, argumenta. Para Irmã Tereza, o maior beneficiado com a beatificação de Madre Leônia Milito seria a comunidade, que tem necessidade de novos modelos de santidade.
A postuladora ainda não sabe quanto vai custar para levar adiante a causa de beatificação da Madre. Por enquanto, os principais custos referem-se a impressos sobre a religiosa.
O arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, lembra que este processo é uma novidade para a região, que ainda não passou por nenhuma experiência deste tipo. Ele lembra aos fiéis que se trata de um processo bastante longo e acredita que a Congregação tenha chances de conseguir a beatificação e canonização da Madre Leônia Milito. Faço votos que o processo ajude a Igreja de Londrina a viver melhor o Evangelho.


