Londrina pára de usar flúor nas escolas
A suspensão do uso do flúor nas escolas municipais de Londrina provocou motivo de polêmica ontem no 2º Congresso Mundial de Odontologia. A medida foi adotada em abril por uma decisão política, segundo o gerente de odontologia da Secretaria Municipal de Saúde, Domingos Alvanhan. Estudos que teriam sido realizados no município, de acordo com o gerente, apontaram uma redução no índice de dentes cariados, perdidos ou obturados (a sigla em inglês é CPOD) em crianças até 12 anos. Por isso, a avaliação seria de que não há a necessidade da aplicação semanal do flúor, mas de ampliar os trabalhos de informação e prevenção da cárie. Alvanham informa que o número apontado na pesquisa é inferior a dois dentes, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que seja menor de três dentes.
O assessor para saúde bucal da Secretaria de Saúde do Estado, Leo Kriger, ressalta que a decisão do município foi precipitada. Na opinião dele, mesmo baseado em dados comprovados é preciso manter a aplicação já que os índices de pesquisa não revelam a realidade de toda a população escolar. Por isso, nas escolas estaduais o bochecho semanal é feito normalmente.
A posição de Krieger é apoiada pelo professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antonio Ferelle. Ambos garantem que a fluorose - uma doença que atinge os dentes de crianças até seis anos de idade, provocada pelo excesso do produto-, não é causada pela aplicação orientada por profissionais capacitados, mas sim pela ingestão do produto. Krieger e Ferelle citam que perigo maior é oferecido pelas pastas de dente com sabor ou balas consumidas pelas crianças.
Ferelle reforça que a quantidade do produto utilizado no programa de bochecho é pequena e atende crianças acima de seis anos, cujo risco de engolir flúor é mínimo. O professor garante que não existem dados atuais que comprovem o índice sobre dentição infantil divulgado pela prefeitura de Londrina. A última pesquisa foi realizada em 1996 e o índice era de 2,36 dentes. A assessoria do congresso informou que há uma pesquisa em andamento cujos resultados serão conhecidos no final do ano.
Leo Krieger destaca que o uso do flúor tem um custo anual por criança de apenas 10 centavos. Ele comenta que Londrina é considerada uma cidade-modelo e medidas tomadas no município podem ser imitadas por outros, onde a realidade não é a mesma.
O secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, diz que a suspensão do flúor foi um decisão técnica baseada em orientações de diversos profissionais consultados pelo gerente de odontologia, Domingos Alvanhan. Ele afirma que o município está aberto para avaliar o assunto e que irá esperar o término do congresso para realizar uma nova discussão sobre o uso de flúor.





