Londrina organizada pelas microbacias
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quinta-feira, 09 de novembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
No momento em que o município discute a atualização do Plano Diretor, que prevê normas e regras locais para a organização e modernização de Londrina, ambientalistas alertam: é preciso pensar o crescimento urbano tendo a bacia hidrográfica como unidade de gestão e planejamento.
''É possível gerenciar a cidade sob qualquer aspecto, bairros, comércios, indústrias, mas se não pensar pelas microbacias urbanas, é o futuro da população que está em questão'', alerta o assessor especial da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), João Batista Moreira Souza.
Ele integra a equipe de profissionais que participa do projeto Repare - Recuperação Participativa de Recursos Hídricos -, encabeçado pela ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), em parceria com associações de moradores e outras entidades da sociedade civil. ''Nossos rios urbanos, em comparação com os de cidades brasileiras de mesmo porte, estão em boas condições, mas longe de estarem ideais'', ressalta o geógrafo, Gustavo Henriques Marconi.
O biólogo Eduardo Panachão destaca: ''Também não podemos pensar que rio limpo é rio não contaminado. Há vários formas para analisar a qualidade das águas, mas podemos considerar a existência de mata ciliar como parâmetro básico''.
Diante de um mapa de Londrina, eles traçam as características de alguns córregos centrais, como o Leme, que é o que forma o Zerão. ''Todas as nascentes dele estão canalizadas, embaixo dos prédios centrais. Ele recebe uma grande quantidade de resíduos, como óleo dos carros e lixo das ruas. Apesar de não ter indústria por perto, nem ocupação irregular, é um dos mais poluídos e isto acontece por conta da população'', afirma Souza.
Já o Córrego Água Fresca circula em área nobre da cidade. Acompanha o Fundo do Vale Verde, passando em frente ao Colégio Universitário. ''É um córrego que tem grande concentração urbana, sofre com a poluição difusa, mas como tem uma área de margem relativamente preservada, tem aspecto mais saudável e qualidade considerada boa em comparação com outros do município'', aponta Panachão.
O mesmo não acontece com o Córrego Água das Pedras, que tem características semelhantes ao Água Fresca, mas tem ocupações irregulares nas margens. ''Lá tem ausência de saneamento e de mata ciliar. Este é um córrego em situação bem crítica'', afirma o geógrafo.
A partir destes córregos, os ambientalistas acreditem ser possível refletir sobre como os rios urbanos de Londrina são cuidados. ''Você tem um completamente canalizado (Córrego Leme), que está morrendo. Os outros dois são reflexo de como a cidade cuida deles. Quando preserva, tem auto-sustentabilidade, quando não, fica crítico'', resume João Batista.
Além disto, o jornalista e assessor da ONG MAE, Marcelo Frazão, ressalta que a população precisa compreender que bueiro não é onde corre esgoto, mas sim água da chuva. ''Abaixo de toda casa tem uma nascente com água cristalina. Se jogar sujeira no bueiro, vai parar no córrego mais próximo sem qualquer tratamento''.


