No centro quadrado, planejado, pensado, era para estar a razão. Mas uma avenida grande e larga dobrou-se em cotovelo, confundindo quem chega sobre onde fica o norte ou o sul. Além disso, modificou a dinâmica de quem morava aqui, que desbravou todos os lados, seguindo sua própria estrela dos ventos.
Hoje, o progresso é visível em todos os recantos do suave espectro topográfico. Menos denso nas bordas sinuosas, compactando-se à medida que reflui para o meio.
O centro não monopoliza mais a razão, se é que algum dia o fez, mas tem razões de sobra para se sentir da cidade voluntariosa seu sossegado coração.
E num edifício do centro...
Revoada de pássaros na janela. Passam tão próximos, curiosos, audazes, xeretas. Um despencou no apartamento da minha vizinha L., que o recolheu a uma larga caixa de sapatos, para que o bichinho se recuperasse dos problemas advindos do vôo cego.
Não há indícios, no entanto, de que queira deixar o recanto. Bem acomodado, comida farta, água na palma da mão. Anda pra lá e pra cá, quando lhe dá na telha, ou refastela-se em sua caixa casa, como um nababo.
Sorte dele que L. não goste de gatos, assim como gosta de pássaros.

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