Londrina não tem dados e controle sobre os animais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de abril de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O poder público de Londrina não possui dados estatísticos sobre o número de cães de rua existentes atualmente na cidade. A estimativa repassada pela Vigilância Sanitária (VS) segue o padrão de cálculo de um animal para sete humanos. A população canina representa vários tipos de risco, como transmissão de doenças infecciosas, ataques e atropelamentos. A falta de um Centro de Controle de Zoonoses também é criticada por especialistas da área.
''Alguns tipos de doenças infecciosas podem ser transmitidas para o homem. O problema é que os animais de rua podem ser uma grande fonte de doenças também para os outros animais'', destacou a chefe da divisão de clínica médica de animais de companhia do Hospital Veterinário (HV), Sueli Nunes Esteves Beloni. Entre as enfermidades, ela cita doenças de pele (sarna), verminoses, leptospirose.
Principal doença transmitida por cães, a raiva está ''relativamente'' controlada em todo o País, de acordo com as autoridades sanitárias do município. Outra ameaça é o ataque dos animais. Para o gerente da Vigilância Sanitária em Londrina, Marcelo Viana de Castro, os animais de estimação representam risco maior quando estão nas ruas. ''Os animais de rua são acostumados com o movimento, com o barulho de carros. Já o cão de abrigo se sente desprotegido quando está solto e pode atacar as pessoas'', avaliou.
O risco de disseminação de doenças é ainda maior em Londrina devido à falta de um Centro de Zoonoses. A construção na cidade já foi aprovada, mas ainda não saiu do papel. A reportagem tentou entrar em contato com a diretora executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Margaret Shimiti, mas não obteve retorno.
Uma das funções do Centro é fazer a esterilização dos animais, principal forma de evitar a superpopulação. O serviço hoje é feito somente em clínicas particulares e no HV. O custo varia de acordo com o tamanho e peso do animal. O hospital mantém desde 1996 o projeto Posse Responsável e Controle Populacional de Cães e Gatos de Londrina e Região. Além de fazer a esterilização, alunos do curso de medicina veterinária orientam os donos de animais sobre a importância dos cuidados adequados com o bichos. A fila de espera por vaga chega até a seis meses.
A organização não-governamental SOS Vida Animal também faz controle de natalidade de animais. O custeio é bancado voluntariamente por integrantes da entidade. ''Acreditamos que a única saída para controlar a população é esterilizar. O sacrifício tem que ser evitado. Só em último caso. Só para animais em fase terminal mesmo'', enfatizou a presidente Lígia de Oliveira Rutkowski.(F.R.F.)


