Internado desde domingo à noite no Hospital da Zona Sul (HZS), em Londrina, o aposentado José Merchol, 66 anos, necessitava de um atendimento mais especializado e só conseguiu uma vaga em um hospital terciário ontem, por volta das 10 horas. O caso do aposentado é, segundo a direção do hospital, rotina no HZS e é causado pela falta de leitos na cidade.
Segundo familiares de Merchol, o aposentado começou a passar mal no domingo à noite. ‘‘Ele reclamou que estava com dores no estômago e logo depois começou a vomitar’’, conta a mulher dele, Elda Merchol. Ela disse que esperou parentes chegarem para poder encaminhá-lo ao hospital. A família mora no Jardim Campos Elíseos (zona sul).
Dorico da SilvaA esposa Elda: dores e vômitoOntem de manhã, Elda, acompanhada pelo genro Antonio Souza, esperava que abrisse uma vaga em algum hospital. ‘‘Não é possível. Tem tantos hospitais em Londrina e nenhuma vaga’’, reclamou Souza. Por volta das 10h30, o HZS conseguiu uma vaga no Hospital Universitário (HU) e Merchol foi encaminhado para aquela instituição.
O diretor-clínico do HZS, Sidney Girotto, conta que o aposentado deu entrada no hospital no domingo, às 22 horas. Após receber atendimento, a Central de Leitos foi acionada para encontrar alguma vaga em um dos hospitais terciários - HU, Santa Casa e Hospital Evangélico.
Segundo ele, o aposentado teve obstrução intestinal e, provavelmente, necessita de intervenção cirúrgica, procedimento que não pode ser realizado no Zona Sul. O HZS recebe cerca de 200 pessoas diariamente e, por ser um hospital secundário, presta atendimento a casos não muito graves.
Dorico da SilvaO diretor Girotto: problema diárioGirotto observa que a procura por vagas em hospitais terciários é um problema rotineiro enfrentado pelo HZS. ‘‘Todos os dias tem gente esperando uma vaga’’, afirma. Ele lembra de um caso ocorrido recentemente, de uma vítima de acidente de trabalho (com uma fratura exposta na perna) que teve de esperar 30 horas até ser encaminhado para um hospital terciário.
‘‘Os familiares ficam nervosos e é uma situação difícil para o hospital. Mas não é culpa dos hospitais terciários. O grande motivo é realmente a falta de leitos em Londrina’’, ressalta. Além de acionar a Central de Leitos, Girotto diz que o hospital faz um trabalho paralelo ligando para instituições à procura de vagas.

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