Mauricio Della Barba
De Londrina
Em Londrina, a campanha contra a violência dentro de casa vai mobilizar 1.132 voluntários da Pastoral da Criança. O lançamento da campanha, que ocorreu ontem, no gabinete do prefeito Antônio Belinati (PFL), contou com a presença do arcebispo da cidade, dom Albano Cavallin, da promotora da Vara de Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula, e representantes da Pastoral.
‘‘Nossa intenção, em uma primeira fase, é visitar cerca de 95 mil casas por mês em Londrina, orientando as famílias sobre a importância do amor, carinho e atenção entre cada pessoa’’, enfatizou dom Albano. Cada voluntário irá entregar panfletos e livretos sobre como trabalhar as relações dentro da família para prevenir a violência contra crianças.
‘‘É um trabalho lento e de muita perseverança. Mas que, com certeza, é uma das soluções práticas para diminuir as agressões dentro da família’’, disse o padre Joel Ribeiro Medeiros, representante da Pastoral da Criança. Segundo ele, não existe ao certo uma estatística sobre o número de casos de violência contra crianças e mulheres.
‘‘A maioria dos casos de violência não é denunciada. O medo de apanhar mais impede que o fato seja divulgado’’, explicou o padre Medeiros. Mesmo assim, o padre estima que uma em cada quatro mulheres sofram agressão dentro de casa e que cerca de 2% das crianças brasileiras são espancadas por adultos.
A promotora Édina de Paula avalia que os casos em Londrina são elevados. ‘‘Por dia, chego a receber cinco casos de denúncias contra agressões a crianças’’, disse. De acordo com a promotora, somente neste ano, a Promotoria da Infância e Juventude da cidade já autuou mais de mil processos. Destes, 90% são de violência direta e indireta a crianças. ‘‘A pior violência não é aquela que deixa marcas, mas sim aquela onde as crianças são ignoradas e maltratadas’’, revelou Édina.
A campanha em Londrina vai contar, além do trabalho da Pastoral da Criança, com a participação das 102 escolas públicas instaladas no município, que contam com cerca de 32 mil estudantes. ‘‘Na sala de aula é possível saber o que acontece em casa’’, disse o prefeito Antônio Belinati.

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