Londrina Mais promove troca de conhecimento
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quinta-feira, 09 de agosto de 2018
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 

Durante três dias, educadores e estudantes da rede pública de ensino de Londrina e região têm a oportunidade de trocar experiências, apresentar trabalhos e discutir as mudanças da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que estabelece os conteúdos mínimos que serão aplicados nas escolas brasileiras.
O encontro, que começou na quinta-feira (9) e segue até sábado (11), acontece no Parque Ney Braga (zona oeste) e o acesso é gratuito a toda comunidade. É a segunda vez que a secretaria municipal de Educação organiza o Londrina Mais, com o objetivo de divulgar e valorizar a qualidade das atividades desenvolvidas pela rede municipal.
Participam cerca de 10 mil estudantes (de 103 escolas municipais, 20 estaduais e três centros de Educação Infantil filantrópicas), além de cinco mil professores. A programação conta com palestras, capacitação para secretários de educação de mais de 20 municípios, tendas interativas e exposição dos trabalhos desenvolvidos pelas unidades escolares.
Para a secretária de Educação de Londrina, Maria Tereza Paschoal de Moraes, entre as discussões, a implantação e organização em torno da BNCC é a mais urgente e importante. "Essa tem sido a maior necessidade da rede de ensino e no âmbito estadual, ela já está sendo estruturada. O Paraná vai construir um currículo único e em seguida, cada município e escola apresentarão também suas propostas", comenta. A versão da BNCC para a educação infantil e ensino fundamental foi homologada em dezembro de 2017 e deverá ser implantada em todo o País até 2020. Já as diretrizes para o ensino médio seguem em discussão.
GUARDA-CHUVA
Para abrir o evento, a especialista em Educação Infantil, Regina Shudo, de Curitiba, falou aos educadores sobre as dez competências que são, segundo ela, o grande "guarda-chuva" que organiza a BNCC. "O currículo no Brasil é organizado por competência, que é a somatória de desenvolvimento, habilidades e capacidades. Nesse momento, o País discute como a escola vai articular a Base na prática. Há muitas mudanças e os professores terão que reestruturar a atuação em sala de aula", afirma.
Ao avaliar as competências, Shudo destaca o acesso ao conhecimento, o exercício da curiosidade intelectual e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. "Não adianta eu ter um conhecimento se eu não souber ensiná-lo ao aluno. Na questão socioemocional, por exemplo, como trabalhar isso em uma aula de língua portuguesa? A resposta é saber olhar mais para o aluno, é pegar o texto e ler com ele. É saber que a escola tem que ser mais acolhedora e não punitiva", ressalta.
Para isso, a especialista reconhece a necessidade de envolver os professores. "O professor talvez não tenha formação agora para trabalhar, por exemplo, estatística e probabilidade desde o primeiro ano ou semiótica dentro do eixo da língua portuguesa. É preciso investir na formação continuada deles e na discussão do que se pode acrescentar dentro da BNCC, pois ainda há algumas contradições", diz.
Com 150 estandes montados pelas escolas em dois pavilhões, o público tem a oportunidade de conhecer um pouco dos trabalhos desenvolvidos nas bibliotecas e em salas de aula. Há projetos voltados ao estudo das etnias, do comportamento (bullying), moda, reciclagem, sustentabilidade, experimentos, literatura, entre outros.(Leia mais na pág.2)


