Uma cerimônia ontem à tarde, na Câmara de Vereadores, celebrou o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, comemorado hoje. A data é comemorada oficialmente em Londrina pela segunda vez. Compareceram ao evento representantes da prefeitura, da Caixa Econômica Federal, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CMDPPD), de entidades assistenciais e da própria Caixa. Alunos do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) apresentaram coreografias, vídeos foram exibidos e o nadador para-olímpico Claudinis Bartolomeu, 33 anos, foi chamado para falar sobre sua experiência de vida.
Há doze anos, ele ficou tetraplégico num acidente de moto. No ano seguinte, começou a frequentar sessões de hidroterapia e em 1993 já estava competindo na natação. Bartolomeu fez seu pronunciamento ao lado de uma tela na qual foram expostas algumas das medalhas que ele ganhou competindo. Entre elas, a de campeão regional-sul e duas de vice-campeão brasileiro.
''As duas medalhas mais importantes da minha vida são meus pais, que não deixaram de me apoiar em nenhum momento'', disse o nadador, entre lágrimas. ''O médico falou a princípio que eu ia ficar numa cama pra sempre, mas eu nunca desisti''. Bartolomeu treina com outros seis nadadores para-olímpicos no Grêmio Literário e Recreativo Londrinense. Em 2000, faltou pouco para ele atingir o índice para as Para-Olimpíadas de Sidney.
Seu sonho é disputar os Jogos de Atenas, no próximo ano. ''Temos pouco apoio. A Fundação de Esportes ajuda, meu fisioterapeuta paga as taxas no Grêmio. Com um patrocínio, acho que poderíamos ir longe'', afirmou o nadador. Ao fim da cerimônia, o empresário Chebelin Nabhan, cuja fábrica confeccionou camisetas com os dizeres ''Inclusão'' para comemorar a data, se prontificou a patrocinar Bartolomeu até as Para-Olimpíadas.
O superintendente nacional de loterias da Caixa, Paulo Campos, anunciou no evento o lançamento da campanha Aposta Cidadã a partir deste mês e até fevereiro, qualquer pessoa no Paraná que jogar em uma das nove loterias da Caixa preencherá um cupom para escolher qual instituição filantrópica de sua cidade deve receber cadeiras de rodas para serem doadas a deficientes físicos. Serão entregues 1.100 cadeiras, a serem repassadas às entidades mais votadas em cada cidade. Participam da campanha 697 empresários lotéricos e 711 instituições em 296 municípios do estado.
A presidente do CMDPPD, Martinha Clarete Dutra dos Santos, enfatizou que Londrina é uma cidade que historicamente não dá atenção aos deficientes. ''Prova disso é o piso do Calçadão, péssimo para quem precisa andar de cadeira de rodas, e os orelhões, ruins para os cegos. Faltam rampas em calçadas, muita coisa torna a cidade impraticável para os deficientes'', criticou ela. ''Londrina precisa de uma coordenadoria municipal para que as reivindicações dos deficientes sejam melhor encaminhadas''.

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