Londrina já tem rede municipal de apoio
Londrina já possui um Centro de Atendimento à Mulher (CAM) e uma casa-abrigo para as vítimas ameaçadas de morte, como determina a nova lei. Uma das lacunas ainda é a recuperação dos agressores.
O CAM oferece atendimento multidisciplinar à mulheres em situação de violência, com assistência social, psicológica e jurídica. Desde 1998 até julho deste ano, segundo dados do programa, foram encaminhados quase 9 mil casos e prestados pouco mais de 24 mil atendimentos. Das 348 ocorrências que chegaram ao CAM no ano passado, 57,18% foram de violência emocional e 36,78% de violência física.
Segundo a secretária da Mulher, Maria José Barbosa, ainda existe um grande número de vítimas que procuram a delegacia, mas não passam pelo CAM. ''Estamos conversando com a delegada para que os casos possam chegar ao Centro. Aqui, as mulheres podem falar de suas dificuldades, ver que não são as únicas naquela situação e, juntas, se fortalecer para quebrar um ciclo vicioso de violência'', salienta.
Já a Casa de Apoio Centro de Dália acolhe temporariamente as mulheres e os filhos que estejam correndo risco de morte. Também ajuda as vítimas a encontrar alternativas para adquirir moradia definitiva, emprego, escola para as crianças e inscrição em programas de transferência de renda. A localização do abrigo é mantida em segredo. De maio de 2004 até agosto de 2006, 99 mulheres e 185 crianças passaram pelo local.
Outro programa é o Rosa Viva, que presta atendimento médico, social, psicológico e jurídico a mulheres vítimas de violência sexual. Nele, foram atendidas 171 mulheres de outubro de 2001 até dezembro de 2005.
Com relação à educação e reabilitação do agressor, como incentiva a Lei Maria da Penha, a secretária diz que ainda está em fase de captação de recursos. ''Precisamos de pessoas com experiência em trabalhos com casais, possivelmente alguma Organização Não-Governamental (ONG). No espaço do CAM, você não pode fazer esse trabalho porque a presença dos agressores intimidaria as mulheres'', pondera.
Militante no Movimento das Mulheres há mais de 20 anos, Maria José diz que a nova lei traz ''conquistas fantásticas'', mas que é preciso fazê-las sair do papel. ''O Brasil é cheio de leis perfeitas, mas que não são colocadas em prática.'' (V.N.)





