''Agora é tempo de ser igreja, caminhar junto, participar''. Com esse canto, milhares de fiéis londrinenses acolheram o novo bispo da arquidiocese de Londrina, Dom Orlando Brandes, durante a cerimônia de posse realizada ontem pela manhã na Catedral Metropolitana. Nem a tristeza pela saída de Dom Albano Cavallin, pastor da cidade por 14 anos, desanimou os religiosos, que receberam o novo arcebispo de corações abertos. ''Dom Albano era realmente um pastor, tinha sempre uma palavra certa na hora certa. É triste vê-lo deixar a arquidiocese, mas acredito que ele permanecerá trabalhando por aqui de outras formas'', disse a dona de casa Maria Aparecida Jachstet.
''Rezamos para que Dom Orlando continue o trabalho de Dom Albano, que era muito atencioso e estava sempre à disposição das paróquias'', completou o técnico em telecomunicações, Carlos Jachstet, marido de Maria Aparecida.
O casal de administradores de empresas, Francisco e Irene Valério, também lamentou a aposentadoria de Dom Albano, mas ressaltou o carisma do novo arcebispo. ''Como católicos, esperamos que ele mantenha a comunidade unida em nome de Deus e, como ele mesmo disse, que a cidade volte a ter paz'', assinalou Francisco.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a homenagem realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Dom Albano, que recebeu das mãos do Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella, presidente da CNBB, a medalha Dom Manuel da Silveira testemunho de amor, fidelidade e dedicação à igreja. ''Por isso que digo que os bispos são todos irmãos. Não esperava essa homenagem. Estou surpreso'', comemorou Dom Albano.
Ao passar o báculo (cajado) para Dom Orlando, o ex-arcebispo de Londrina deixou a liderança da vida pastoral da arquidiocese nas mãos de quem ele chamou de ''presente de jubileu de ouro para Londrina''. Este ano, a catedral londrinense comemora seu cinquentenário. ''Vou continuar trabalhando. Quero permanecer em Londrina para pregar retiros espirituais'', avisou Dom Albano.
Com o báculo em mãos e vestido com a indumentária de arcebispo, Dom Orlando recebeu o pálio (faixa), que é símbolo da autoridade metropolitana. Em seu discurso, o novo arcebispo pediu a ajuda dos fiéis e também dos padres na luta por uma igreja mais santa e missionária. ''Vamos combater a violência com gestos de paz.''
Em sua administração, Dom Orlando pretende valorizar a evangelização e buscar novas vocações, mantendo o diálogo constante entre a igreja e a comunidade. ''As missões populares são o grande segredo da vitalidade da igreja. O pastor deve ir ao encontro das ovelhas, curar as que estão feridas e fortalecer as que já estão no caminho certo'', declarou.
A recomendação do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baudisseri, que representa o Papa no País, é para que o novo arcebispo seja um pai para todos os fiéis. ''A evangelização se faz necessária nos tempos de hoje.'' Para Dom Geraldo Majella, o subjetivismo e relativismo que têm predominado nas relações humanas têm tentado as pessoas a fazerem da religião um bem de consumo. ''É difícil levar o evangelho que liberta, mas Deus escolhe elementos humanos para colocar suas palavras em prática e Dom Orlando, com seu modo particular, dará continuidade ao trabalho de Dom Albano aqui em Londrina.''

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