Londrina já tem mais mortes que em 2005
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O total de homicídios ocorridos este ano em Londrina ultrapassou o número registrado em igual período de 2005. As estatísticas não medem o valor das vidas perdidas nem a dor de tantas famílias, mas funcionam como um alarme que avisa quando a situação está fora de controle.
O 131º assassinato de 2006 - que no ano passado foi computado no dia 26 de dezembro - aconteceu às vésperas do Natal. A vítima: Anderson Pereira de Sá, um jovem de 20 anos. Segundo a Polícia Militar (PM), ele foi morto com três tiros na região toráxica, na Rua Nilza Edite Rossi Lakoski, Jardim Maracanã (Zona Oeste). O crime ocorreu às 13h30, horário em que muitas famílias almoçavam já em clima de festa natalina.
Não fosse tragédia bastante, uma bala supostamente perdida atingiu a mão de um bebê de dois anos que passava pelo local na mesma hora do assassinato. As informações disponibilizadas pela polícia ontem eram escassas e davam conta de que a criança não teria nenhuma relação com Sá. Segundo o Hospital Universitário (HU), que atendeu o menino, ele permanecia internado ontem, mas fora de perigo. A PM informou que não havia pistas sobre a autoria do crime.
A reportagem esteve na Rua Nilza Lakoski ontem pela manhã, mas moradores preferiram silenciar. Nada mais lembrava uma cena de crime. Próxima ao ponto onde o rapaz perdeu a vida, chamava a atenção uma declaração de amor gigante escrita a tinta branca. Por todo o bairro, churrasqueiras iam sendo acendidas, cervejas postas para gelar e discos colocados nos aparelhos.
É tempo de festa, mas os atores da violência ignoram isso e a segurança pública não dá motivos para comemorar. Em meados deste ano, Londrina chegou a registrar quase 20 mortes a menos quando comparado com época idêntica no ano anterior, segurando uma tendência de queda - 2005 teve 51 homicídios a menos que seu antecessor, conforme levantamento da FOLHA.
O contador da morte foi avançando e, agora, faltando cinco dias para o estourar dos fogos de artifício, apenas uma vítima separa o saldo de 2006 do total de todo o ano passado, que fechou com 132 mortes. É bom que estacione por aí, até pela carga simbólica que isso carrega. Mas o alarme já está disparado.
O número de mortes registrado pela FOLHA não confere com a quantidade de homicídios computados pela Polícia Civil, que não considera, por exemplo, latrocínio (roubo seguido de morte). Para o delegado-chefe da 10 Subdvisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, o latrocínio é considerado um crime contra o patrimônio. ''Temos registrados 111 homicídios até agora e no ano passado foram 125. Claro que se falarmos em crimes cometidos contra a vida, 111 é um número ruim, porém, se tratando de dados estatísticos estamos com uma tendência decrescente ao compararmos com o ano de 2003 que tivemos 193 homicídios e 2004, 161'', disse. (Colaborou Fernanda Borges).


