Já são 37 os casos de dengue confirmados em Londrina no mês de janeiro. No mesmo período do ano passado, houve apenas cinco casos, o que preocupa os profissionais da saúde. A enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Marabá (zona leste), Pilar Nadir Soldorio, alertou: ''Depois dessa chuva, daqui uma semana, vai ser um problema''.
É justamente nos bairros atendidos por essa UBS Marabá, Santa Fé e Monte Cristo que estão concentrados os casos confirmados. Até ontem, eram 27 os casos positivos da unidade e outros 164 estavam em andamento aguardando resultado de exames. ''De todos os exames feitos esse ano, apenas quatro foram negativos'', afirmou Pilar, o que revela que os casos positivos podem ser muito maiores do que os já confirmados.
Muitos moradores do local não têm água encanada. Isso faz com que a maioria armazene água em baldes e tanques, criando ambiente ideal para a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da doença.
A gerente do setor de epidemiologia da prefeitura, Josemari de Arruda Campos, confirmou: ''Temos um surto na região do Marabá, isso é certeza.'' Mas ela contrapõe que este ano os números estão mais próximos do real porque houve uma melhoria nas notificações. ''Muitos casos podem ter ocorrido no ano passado e não foram notificados'', justificou. O principal, segundo a gerente, é conscientizar e sensibilizar a comunidade para tomar os cuidados necessários que impeçam a proliferação do Aedes Aegypti.
O agente de saúde da UBS, Valdir Benitz, 42 anos, teve dengue em dezembro e seus dois de seus filhos contraíram a doença neste mês. Afonso, 15, e Moisés, 5, se recuperam da dengue. Sua mulher, Valéria, e outro filho, Cássio, aguardam resultado de exame encaminhado ao Laboratório Central do Estado (Lacen), em Curitiba, para comprovação do diagnóstico.
Benitz disse que toma todos os cuidados em sua casa para não acumular água, mas denuncia os vizinhos. ''O pessoal daqui é 'levado da breca', para eles não existe esse negócio de dengue''. O agente comunitário contou os sintomas que teve quando estava doente: ''Perdi o apetite e senti muita moleza no corpo. Fui trabalhar mas não aguentei''. Ele foi então atendido por uma médica do posto e fez o exame que confirmou a doença. ''Não tinha ânimo para nada'', observou.
Em todo o ano passado, a cidade registrou 430 casos de dengue. O aumento nos casos no início deste ano reforça a importância de se tomar os cuidados para evitar que a doença se espalhe. ''Precisamos destruir todos os possíveis focos do mosquito'', salientou Pilar. Para isso, é necessário colocar areia em todos os vasos de plantas, virar garrafas e recipientes que possam armazenar água para baixo e não deixar entulhos e pneus velhos ao ar livre.

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