Água invadindo ruas e casas, quedas de árvores e construções, desligamentos de energia elétrica e alagamentos. Essa tem sido a realidade de Londrina quando chove forte. Em novembro foram 14 dias de chuva, segundo informações do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), somando 232,8 milímetros - índice cerca de 50% maior que a média do mês, que é de 150 milímetros.
A falta de estrutura da cidade para aguentar as fortes chuvas se evidencia com cenas como a da última sexta-feira, no trevo que dá acesso a região dos Cinco Conjuntos, na zona norte. A água subiu rapidamente assim que começou a chover e alagou o local, assustando quem passava por lá. Um motoqueiro e um motorista abandonaram seus carros, com medo da enxurrada de água e lama. Durante o mês de novembro, a Folha noticiou também alagamentos em casas no Jardim Catuaí (zona norte) e Jardim Perobal (zona sul), queda de muro numa creche do Jardim João Turquino (zona oeste) e numa instituição do Jardim Ideal (zona leste), além de quedas de árvores principalmente no centro da cidade.
Uma das consequências da última chuva forte, na sexta-feira, foi no Conjunto Parigot de Souza (zona norte), onde o asfalto cedeu na Rua Waldyr de Azevedo. Ontem, o secretário de Obras, Aloysio Freitas, esteve no local e verificou que o lugar é o mais baixo da região, onde se concentra não só a água do bairro, mas de outros vizinhos. A solução para a rua, segundo o secretário, é fazer uma drenagem, colocar tubulações da rede pluvial com diâmetro maior e pavimentar novamente. ''Temos que dar uma solução o mais rápido possível, mas o custo passa de R$ 300 mil'', disse.
Freitas explicou que o problema principal de Londrina não são as bocas-de-lobo entupidas, mas as tubulações da rede pluvial que, por causa do diâmetro, não aguentam a vazão da água. ''A maior parte das bocas-de-lobo está desobstruída, tanto é que depois da chuva a água escoa normalmente. Na hora da chuva, o volume de água é grande e as tubulações, de 30 anos atrás, não foram dimensionadas para aguentar. Foi falta de visão de quem fez'', destacou.
Para quem está cansado de tanta água é bom se revestir de paciência e de precauções, porque o Simepar prevê que os meses de dezembro e janeiro também deverão ter índice de chuva maior que a média, principalmente por causa da influência do fenômeno El NiÀo. As altas temperaturas e o ar úmido que cobre o Paraná, segundo o meteorologista Lizandro Jacobsen, também favorecem as pancadas de chuvas nos finais de tarde.

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