De casa em casa, os agentes de endemias da Secretaria Municipal de Saúde deram início a mais um mutirão de combate à dengue. Até o dia 2 de outubro, os 220 profissionais pretendem inspecionar mais de 39 mil imóveis em todas as regiões de Londrina. A cada visita, os agentes buscaram focos do Aedes Aegypti e orientaram os moradores a deixar nas calçadas objetos em desuso para que fossem recolhidos pelos participantes do mutirão. Funcionários de outras secretarias transportaram eletrodomésticos da chamada linha branca, móveis antigos, materiais recicláveis, pneus e galhos de árvore para dar a destinação correta. Com a limpeza, a expectativa é reduzir o número de possíveis criadouros do mosquito transmissor da doença.
No Jardim União da Vitória (zona sul), dezenas de sacos plásticos, garrafas pet e copos descartáveis foram recolhidos. Objetos que acumulam água também foram encontrados em terrenos baldios. Um deles fica em frente à residência da dona de casa Sirça Aparecida Ferreira. "Há um mês fiquei internada com suspeita de dengue. O pessoal do posto de saúde não confirmou, mas no PAM [Pronto Atendimento Municipal], eles disseram que eu tive dengue. Senti muita dor no corpo, dor de cabeça e ânsia de vômito. Toda vida eu cuidei do meu quintal, mas a gente nem imagina o mal que pode acontecer se o vizinho também não prestar atenção nisso", lamentou. Para aproveitar o mutirão, a dona de casa resolveu se desfazer de garrafas de vidro, brinquedos antigos e até de um guarda-roupas que estava no quintal.
Porém, nem todos os moradores atendem ao chamado dos agentes de endemias. Além dos imóveis fechados, o desafio do município é monitorar e oferecer ajuda aos chamados acumuladores, pessoas que armazenam todo o tipo de objetos e de materiais nos quintais das residências. Na zona sul, duas moradoras colocaram parte dos itens nas calçadas, mas centenas de produtos ficaram no quintal. "A gente ganha muita coisa para vender depois. Na semana passada, vendemos ferro para comprar pão e um pacote de leite. Com a renda que a gente tem, não dá para viver", justificou uma das moradoras, que preferiu não ser identificada. Elas já trabalharam como recicladoras. No entanto, após problemas de saúde, foram obrigadas a deixar as atividades. Entre os objetos recolhidos, estavam um sofá velho, brinquedos e materiais plásticos.
Segundo a coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Rosely Rodrigues Bez, há, aproximadamente, 30 acumuladores espalhados pela cidade. "Isso dificulta bastante o nosso trabalho. Oferecemos acompanhamento por meio das unidades básicas de saúde com o apoio de psicólogos e de assistentes sociais, mas é um trabalho a longo prazo", explicou a coordenadora.
O mutirão foi realizado até o início da tarde. Na casa de Benedito Luzia, os agentes lembraram a importância de acrescentar cloro na água da piscina pelo menos três vezes por semana para evitar focos do mosquito. "Não dá para trocar a água direto, mas eu coloco cloro duas vezes por semana", garantiu o comerciante. Por lá, não foram encontradas larvas do Aedes Aegypti. Os agentes também reforçaram a necessidade de limpeza das calhas a cada seis meses e do monitoramento constante do reservatório de água que fica atrás das geladeiras.
Conforme a gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins, há notificações de pacientes com suspeita de dengue em todas as regiões da cidade. "Com as temperaturas elevadas antes do tempo, a gente precisa intensificar a prevenção para evitar o pico da infestação entre janeiro e fevereiro", destacou. De janeiro até o dia 17 de setembro foram confirmados 2.668 casos de dengue em Londrina. Duas pessoas que morreram com a doença também apresentaram outras comorbidades, além da dengue. O mutirão de combate ao Aedes Aegypti será realizado até 2 de outubro.

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