Londrina acaba de dar um passo importante na diminuição da poluição gerada pelos resíduos sólidos da construção civil. Desde ontem um depósito de material está recebendo restos de construções e reformas, evitando o mais comum dos destinos, que são as áreas de preservação como fundos de vale. O primeiro ecoponto do País foi instalado no Depósito Eko (esquina da Rua Humaitá com a Avenida Maringá), que também já comercializa a chamada areia ecológica, produzida a partir dos entulhos.
A responsável pela solução ecológica é a empresa Kurica Ambiental, que desde o início deste ano está trazendo para a cidade soluções tecnológicas para os diversos resíduos gerados pelo lixo. Outra possibilidade para o entulho dispensado nos ecopontos é a produção de pedriscos, que deve ser iniciada em breve. Um levantamento está sendo feito para determinar quantos depósitos de construção da cidade passarão a receber os restos de obras.
Atualmente a empresa já recebe em um centro de tratamento instalado na Zona Sul de 30% a 50% do entulho gerado em Londrina. Até o final do ano passado todo este material era aterrado em uma antiga pedreira, sem processamento. ''Hoje nós separamos todo o material, processamos e o oferecemos de volta ao consumidor, a um custo reduzido'', informa o engenherio agrônomo Joel Leandro Queiroga, doutor em meio ambiente e desenvolvimento e diretor operacional da Kurica.
Com a instalação dos ecopontos, a empresa pretende incentivar que os restos de construção voltem ao seu ponto de partida, que são os depósitos de materiais. ''Também queremos com isso trabalhar a cultura de separação dos resíduos no seu local de origem, disciplinando a sua disposição nas caçambas de recebimento'', explica Queiroga. A iniciativa, de acordo com o diretor, vai evitar o despejo irregular por carroceiros e facilitar o descarte por parte dos pequenos geradores de entulho, como famílias que fazem reformas em suas casas.
Os entulhos serão transformados em dois tipos de areia. Um deles tem coloração marrom e é obtida a partir de restos de telha, tijolo e concreto; poderá ser utilizada para reboco e massas em geral, com exceção do concreto armado. A outra areia tem coloração acinzentada e tem maior concentração de concreto, por isso é indicada para estruturas de concreto armado. O preço de lançamento da areia ecológica deve ser de R$ 28,00 o metro cúbico. ''Também pretendemos comercializá-la em sacos de 25 quilos, para uso em pequenas obras'', antecipa o engenheiro agrônomo.
Queiroga compara o uso da areia ecológica ao uso do açúcar mascavo na alimentação: tem coloração diferenciada, porém o seu processamento é menos poluente. ''A areia tradicional vem de leitos de rios e barrancos, podendo gerar impacto ambiental. Além disso o seu uso implica em mais gasto de combustível para transporte'', argumenta.
A proprietária do depósito, Cecy Koyama, diz que considera de grande importância a preocupação ecológica no processamento dos itens utilizados na construção, tanto que já comercializa em seu estabelecimento telhas feitas de materiais recicláveis e móveis produzidos a partir de madeira obtida em demolições. ''A partir de agora vamos esclarecer nossos clientes sobre a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que determina que o gerador de resíduos é responsável pela sua destinação'', observa Cecy.

mockup