Londrina ganha primeiro ecoponto do País
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terça-feira, 25 de março de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Londrina acaba de dar um passo importante na diminuição da poluição gerada pelos resíduos sólidos da construção civil. Desde ontem um depósito de material está recebendo restos de construções e reformas, evitando o mais comum dos destinos, que são as áreas de preservação como fundos de vale. O primeiro ecoponto do País foi instalado no Depósito Eko (esquina da Rua Humaitá com a Avenida Maringá), que também já comercializa a chamada areia ecológica, produzida a partir dos entulhos.
A responsável pela solução ecológica é a empresa Kurica Ambiental, que desde o início deste ano está trazendo para a cidade soluções tecnológicas para os diversos resíduos gerados pelo lixo. Outra possibilidade para o entulho dispensado nos ecopontos é a produção de pedriscos, que deve ser iniciada em breve. Um levantamento está sendo feito para determinar quantos depósitos de construção da cidade passarão a receber os restos de obras.
Atualmente a empresa já recebe em um centro de tratamento instalado na Zona Sul de 30% a 50% do entulho gerado em Londrina. Até o final do ano passado todo este material era aterrado em uma antiga pedreira, sem processamento. ''Hoje nós separamos todo o material, processamos e o oferecemos de volta ao consumidor, a um custo reduzido'', informa o engenherio agrônomo Joel Leandro Queiroga, doutor em meio ambiente e desenvolvimento e diretor operacional da Kurica.
Com a instalação dos ecopontos, a empresa pretende incentivar que os restos de construção voltem ao seu ponto de partida, que são os depósitos de materiais. ''Também queremos com isso trabalhar a cultura de separação dos resíduos no seu local de origem, disciplinando a sua disposição nas caçambas de recebimento'', explica Queiroga. A iniciativa, de acordo com o diretor, vai evitar o despejo irregular por carroceiros e facilitar o descarte por parte dos pequenos geradores de entulho, como famílias que fazem reformas em suas casas.
Os entulhos serão transformados em dois tipos de areia. Um deles tem coloração marrom e é obtida a partir de restos de telha, tijolo e concreto; poderá ser utilizada para reboco e massas em geral, com exceção do concreto armado. A outra areia tem coloração acinzentada e tem maior concentração de concreto, por isso é indicada para estruturas de concreto armado. O preço de lançamento da areia ecológica deve ser de R$ 28,00 o metro cúbico. ''Também pretendemos comercializá-la em sacos de 25 quilos, para uso em pequenas obras'', antecipa o engenheiro agrônomo.
Queiroga compara o uso da areia ecológica ao uso do açúcar mascavo na alimentação: tem coloração diferenciada, porém o seu processamento é menos poluente. ''A areia tradicional vem de leitos de rios e barrancos, podendo gerar impacto ambiental. Além disso o seu uso implica em mais gasto de combustível para transporte'', argumenta.
A proprietária do depósito, Cecy Koyama, diz que considera de grande importância a preocupação ecológica no processamento dos itens utilizados na construção, tanto que já comercializa em seu estabelecimento telhas feitas de materiais recicláveis e móveis produzidos a partir de madeira obtida em demolições. ''A partir de agora vamos esclarecer nossos clientes sobre a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que determina que o gerador de resíduos é responsável pela sua destinação'', observa Cecy.


