Londrina ganha Monumento ao Expedicionário
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Adriana Ito<BR>Reportagem Local 
Londrina acaba de ganhar o seu primeiro monumento em alusão aos pracinhas que participaram da Segunda Guerra Mundial. O Monumento ao Expedicionário foi inaugurado ontem de manhã, na Praça do Expedicionário, na Vila Industrial (Zona Oeste), em uma cerimônia que marcou os 63 anos da Tomada de Monte Castelo. Além dos cerca de 200 membros do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado de Apucarana e autoridades, 13 ex-combatentes e parentes de pracinhas também participaram da cerimônia.
O monumento, com a figura emblemática de um soldado empunhando a bandeira brasileira e um mapa com o roteiro da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, foi pintado por Heloilton da Silva Mota, cabo do próprio Batalhão, e é uma doação do agropecuarista Oezir Marcelo Kantor, colaborador emérito do Exército. ''É um tributo do povo brasileiro a esses pracinhas, que derramaram sangue em defesa da liberdade, que é o estandarte maior da paz mundial'', explicou Kantor, que preferiu não dizer quanto gastou com a obra.
Na Segunda Guerra Mundial, o Monte Castelo, na Itália, era estratégico na batalha contra os alemães, e a Divisão de Infantaria Expedicionária da Força Expedicionária Brasileira (FEB), ao tomar o monte, conquistou também o reconhecimento internacional. ''Foram cinco tentativas, e as tropas norte-americanas desconfiavam da qualidade das tropas brasileiras. No final, abrimos caminho para o exército americano, e passamos a ser vistos de outra forma'', relatou o coronel Antônio Carlos de Pessoa, comandante do Batalhão, acrescentando que esse foi o episódio mais sangrento da participação do Brasil na guerra. Na ocasião, 443 brasileiros morreram. O comandante contou ainda que o símbolo do Exército é uma cobra fumando justamente porque na época se comentava que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar em guerra.
''A Tomada do Monte Castelo é também uma referência moral para o povo, mostra que não podemos ser desacreditados em nada. Temos capacidade, mas é necessário que se lute. Por isso, precisamos nos orgulhar e refletir sobre a história'', analisou Pessoa, sugerindo que o local poderia servir para ilustrar aulas de história, e que o próprio Batalhão está aberto a disponibilizar soldados para fazer palestras sobre o assunto.
Atualmente, há 33 ex-combatentes e mais de 100 pensionistas vinculados ao 30º Batalhão. Faustino Mendes, 88 anos, foi um dos soldados que participaram da Tomada de Monte Castelo, e chegou a ser ferido por estilhaços de granada. ''Tivemos que enfrentar muito frio, muitas dificuldades, mas quando vencemos foi só alegria'', rememorou. Outra lembrança marcante de Mendes foi a morte de um amigo, que fazia o reconhecimento de uma área quando foi executado por alemães. ''Se não fosse a morte dele, muito mais gente teria morrido'', reconheceu.
Já o pai de Odete Capra, falecido há sete anos, foi para a guerra em 1943, mas trouxe consigo várias histórias dos 11 meses passados em batalhas. ''Ele gostava de contar as histórias da guerra, essa era a vida dele. Era uma história bonita, mas de muito sofrimento'', revelou. Sua mãe, Antônia, levou à cerimônia um álbum com fotos daquela época, que ainda hoje lhe desperta saudades. ''Ele me pediu em casamento antes de ir, mas eu disse não. Depois que ele voltou, nós nos casamos, era o nosso destino mesmo. Não é uma história bonita?''


