O Libertad, Centro de Recuperação de Toxicômanos e Alcoolistas começa hoje seus trabalhos em Londrina. Segundo o coordenador geral do Libertad, Moacir Mansur Marum, o projeto da Casa de Apoio vem sendo elaborado há um ano. Ele mesmo passou por um tratamento contra adicção nos mesmos moldes em Florianópolis (SC) e resolveu trazer a idéia para Londrina que, na opinião dele, carece de comunidades terapêuticas. Hoje são apenas duas.
Segundo a psicóloga Juliana Oliveira Barbino, responsável pela triagem dos pacientes, a adicção é uma doença progressiva, incurável e fatal, porém estacionária, se o dependente se propuser a mudar o estilo de vida. Para isso, o isolamento do meio em que está inserido é fundamental e pode ser garantido pela vida em comunidade. Entre os princípios de uma comunidade terapêutica, Juliana cita a oração, a disciplina e o trabalho.
''Além do trabalho psicológico fazemos um trabalho com as famílias, que se tornam co-dependentes do adicto. É uma ferramenta para quando o indivíduo voltar ao convívio social'', explica.
Conforme Juliana, a comunidade terapêutica conta com 12 monitores e quatro coordenadores, além da equipe médica e tem capacidade para abrigar cem pessoas. Já o tratamento acontece em três fases, a de adaptação, a de estabilização e a fase da ressocialização e visa a eliminação de remédios, a internação voluntária e a liberdade com responsabilidade.
O processo de triagem, reitera, envolve a avaliação de um clínico geral, um psiquiatra e um psicólogo na Casa de Apoio que funciona no Centro de Londrina. Depois de avaliado, o dependente é internado por nove meses na chácara onde irá participar de reuniões diárias e atividades laborais, como artesanato, jardinagem, entre outras.
Nos primeiros meses de internação, as visitas familiares são semanais. A partir do terceiro mês, o adicto começa a frequentar grupos de apoio externos, como o Alcoólicos Anônimos e no sexto mês, o dependente já pode passar uma semana inteira de visita em casa.
''Quem pode ajuda, quem não pode, nós ajudamos'', declara o coordenador, ressaltando que é feito ainda um estudo da vida do dependente, inclusive da situação financeira. ''O convênio cobre a maior parte dos gastos com os médicos, mas sempre aparecem doações.''
Segundo Marum, depois de descobrir-se ''um anjo de uma asa só'', o adicto entende que sozinho não consegue nada. ''Não há como refugiar-se de si mesmo por isso o tratamento em comunidade é eficaz. As histórias são as mesmas, todo mundo já chegou ao fundo do poço e só por hoje está limpo.''
Serviço- Mais informações sobre a comunidade terapêutica Libertad pelo telefone (43) 3029-9988, pelo site www.libertadcomunidade.com ou na Casa de Apoio que fica na Rua Senador Souza Naves, 754.

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