Londrina ganha Centro de Referência em Direitos Humanos
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Costumo comparar a travesti a uma ilha, só que ao invés de estar cercada de água por todos os lados, está cercada pela violência.'' O desabafo da travesti Janaína, uma das principais militantes brasileiras, é o retrato de uma realidade vivida por tantos gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (GLBTTT) no País. Em Londrina, a situação não é diferente. Por medo, muitos guardam para si o preconceito sentido diariamente e vivem enclausurados num mundo muito particular. E a homofobia corre solta.
''A homofobia é o medo, ódio, nojo ou aversão aos homossexuais e dificilmente é denunciada publicamente. Na cidade, não são registrados boletins de ocorrência e normalmente as ofensas, sejam elas verbais ou físicas, acabam impunes'', explicou o psicólogo Marcio do Nascimento. ''As histórias de violência são muitas, mas os agredidos têm vergonha de torná-las públicas e até sentem-se culpados em alguns casos'', completou.
Segundo ele, a homofobia traz consequências psicológicas importantes ao homossexual, principalmente a baixa auto-estima. ''Ele sofre pressão e acaba não se reconhecendo como parte do mundo, sente que não pertence à sociedade'', explanou. ''Por outro lado, a sociedade também não sabe como lidar com o homossexual, nem a escola, muito menos a própria família.''
Provocar a sociedade com o tema homofobia, levantar um banco de dados sobre a discriminação e os atos de violência cometidos ao público GLBTTT e assistí-los jurídica e psicologicamente são metas do Centro de Referência dos Direitos Humanos, criado este ano, em Londrina.
O Centro nasceu de um projeto dos voluntários da organização não-governamental (ONG) Núcleo Londrinense de Redução de Danos, dentro dos moldes do Programa Brasil Sem Homofobia, do Governo Federal. ''O projeto foi contemplado com recursos da União somente até o final do ano, por isso estamos em busca de parcerias para dar continuidade às ações'', informou a coordenadora do Centro de Referência, Fernanda de Oliveira.
O programa federal, conforme explanou Fernanda, quer promover os direitos humanos dos homossexuais com a produção de conhecimento para subsidiar a elaboração, implantação e avaliação de políticas públicas voltadas para o combate à violência e à discriminação por orientação sexual.
''A idéia é fortalecer a pessoa homossexual para que ela se sinta como qualquer ser humano, para que se sinta uma pessoa de direito'', complementou o ativista e monitor do Centro, Jorge Santana.
Segundo o psicólogo Marcio do Nascimento, além de produzir conhecimento, o centro londrinense irá oferecer serviços. ''A idéia é desmistificar o imaginário social e discorrer sobre as discussões que a sexualidade trouxe para a sociedade, como a nova maneira de ver a arte, o casamento, a adoção e o conceito de família'', declarou.
Para isso, será aberto um cineclube e um espaço de discussão no próprio Centro, que contará com uma equipe formada por advogado, assistente social, psicólogo, monitores e estagiários. De acordo com a coordenadora Fernanda de Oliveira, o grupo ainda está em fase de capacitação.
Serviço - As portas do Centro, que funcionará dentro no Núcleo Londrinense de Redução de Danos, na Rua Ibiporã, 548, estarão abertas aos público a partir do dia 26 de fevereiro.


