Londrina fecha ano com recorde de violência
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Assim que os relógios anunciarem esta noite o primeiro segundo de 2004, Londrina terá fechado o ano mais violento de sua história. Até o final da tarde de ontem, a cidade ostentava a marca recorde de 192 homicídios desde 1º da janeiro, índice superior ao de assassinatos em 2002, que computou ao todo 161 mortes violentas, e ao de 2001, que fechou com 117 ocorrências do tipo.
As duas regiões mais violentas da cidade foram novamente a Oeste e a Norte: na primeira, os homicídios pularam de 50 em 2002 para 57 neste ano (veja quadro), enquanto na segunda foram registrados 55 assassinatos em 2003 contra 36 no ano passado. Dos oito bairros com maior número de ocorrências, apenas dois não fazem parte de nenhuma das duas áreas.
Alguns crimes chocaram pela extrema crueldade, como o latrocínio do gari Pedro Amorim, 30 anos, morto com golpes de picareta muitos deles desferidos no rosto da vítima em sua casa, no Jardim Liberdade, Zona Norte, em 5 de julho. Outros alertaram que a violência há muito deixou de se concentrar na periferia e é um mal que assola todos os setores da sociedade.
O exemplo com maior divulgação na mídia foi o assassinato de Alaerte Francisco Zanoni, 57 anos, proprietário da lanchonete Gelobel. Ele foi morto a tiros no dia 7 de novembro quando chegava de madrugada à sua casa, no Jardim Igapó (Zona Sul), por jovens que planejavam roubá-lo. Quatro pessoas, duas delas menores, foram apontadas como autoras do crime e estão respondendo a processo (veja matéria nesta página).
Em 2003, dois bairros em especial incorporaram, em épocas diferentes do ano, o clima de pânico que tomou a cidade quando o assunto era segurança. Em 27 de maio, o carregador Rodrigo César da Silva, 23 anos, foi morto a tiros no Conjunto Novo Amparo (Zona Norte). A motivação teria sido uma briga entre famílias.
Como resultado, nos dias seguintes ao homicídio, três casas foram incendiadas no bairro, estabelecimentos comerciais se negaram a abrir as portas e José Hélio Ribeiro, 23 anos, da família ''rival'', também foi morto. A Polícia Militar foi obrigada a montar cerco no Novo Amparo. No fim, três pessoas foram detidas por suspeita de autoria dos dois crimes e respondem na justiça.
O Jardim Nossa Senhora da Paz, na Zona Oeste, há anos era palco de brigas entre gangues, mas só em 2003 atraiu a devida atenção das polícias. A gota d'água foi a morte de um inocente, Damião dos Santos Ramos, 27 anos, funcionário da empresa de fiação de seda Bratac, baleado enquanto trabalhava. As rixas entre os traficantes do Nossa Senhora da Paz, da favela Pantanal e do Jardim Leste-Oeste já tinham provocado outros oito homicídios na região.
Diretores da Bratac chegaram a declarar que pensavam em fechar a fábrica. Com a intervenção policial, os bairros da região não registraram mais nenhum assassinato.


