A Penitenciária Estadual de Londrina estava ontem com 36 presos acima de sua capacidade, fato inédito na história do maior presídio do interior do Estado, inaugurada em 1994 como unidade modelo e de segurança máxima. ‘‘A diretoria encara esta situação como excepcional e transitória’’, disse o vice-diretor da penitenciária e atual diretor interino, Manoel Gonçalves Neto.
‘‘Estamos simplesmente atendendo um pedido da Vara de Execuções Penais, que sempre foi muito solícita com a PEL. Chegou a hora de retribuir’’. Gonçalves Neto disse que possivelmente a lotação máxima voltará a ser respeitada em algumas semanas, após a concessão de algumas transferências e de algumas autorizações de liberdade condicional.
Superlotados, os distritos policiais de Londrina estão remanejando presos, consequência da determinação do juiz da Vara de Execuções Penais e titular da corregedoria de presídios, Roberto do Valle, que na terça-feira passada limitou a ocupação de cada cela em seis presos (alguns distritos contabilizavam até 14 presos em uma única cela).
No remanejamento, a PEL recebeu 36 presos e quebrou a tradição histórica de funcionar sem superlotação. ‘‘Nossa contribuição já foi dada. Não temos intenção de ultrapassar os 400 detentos. Mas até o momento, o excedente não compromete em nada o funcionamento da unidade’’, afirmou.
Para o diretor interino, o respeito à lotação máxima de 360 internos nos seis primeiros anos de funcionamento, contribuiu para que a unidade nunca tivesse uma rebelião nem o registro de fugas. Gélson Ailton Gil, coordenador da Comissão Carcerária do Centro de Direitos Humanos, concorda com Gonçalves Neto, mas lembra que há muitos fatos dentro da penitenciária que são omitidos com o objetivo de contruir esta imagem de unidade modelo.
A rebelião na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, atrapalhou o trabalho de transferência de presos dos Distritos Policiais de Londrina que vem sendo feito desde a semana passada. A remoção dos detentos, que estão sendo encaminhados para unidades de Curitiba, Londrina e Maringá deve recomeçar hoje. Os distritos policias que mantêm carceragens estão interditados pela Justiça por causa da superlotação. Cerca de 30 presos já foram transferidos. (Colaborou Edna Mendes).

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