Londrina estuda adotar sistema binário e zonas 30
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Londrina pode adotar o sistema binário nas ruas, pelas quais vias de dois sentidos seriam transformadas em vias de sentido único, e também as chamadas zonas 30, que é a limitação da velocidade dos veículos a 30 km/h nos espaços urbanos com grande concentração de pedestres. As hipóteses foram aventadas durante reunião realizada ontem pela prefeitura no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) com representantes de mais de 60 entidades para discutir as linhas do Plano de Mobilidade Urbana do município.
O assessor executivo da prefeitura, Carlos Geirinhas esclareceu que essas soluções são simples e não demandam muitos recursos. O sistema binário transforma vias paralelas de mão dupla em ruas com um único sentido para dar mais fluidez ao tráfego de vias rápidas e muito movimentadas. A solução já é adotada em municípios paranaenses como Curitiba e Maringá. Dados repassados pela prefeitura informam que já são quase 400 mil veículos para 540 mil habitantes em Londrina e segundo o coordenador de projetos, se nada for feito, a situação ficará muito pior do que hoje. "Esta reunião visa construir o plano de mobilidade para os próximos 20 anos. Por meio deste plano analisaremos quais as novas soluções e possibilidades para lidar com isso. A expectativa é de que esse plano fique pronto até 2016.", destacou.
PEDESTRE TEM PRIORIDADE
Diogo Pires Ferreira, coordenador de projetos de transporte da Embarq Brasil, ONG sem fins lucrativos que vem assessorando a prefeitura no assunto, enalteceu que as zonas 30, por sua vez, podem reduzir sensivelmente os acidentes na cidade. As estatísticas brasileiras revelam que 30% dos acidentes de trânsito envolvem pedestres e estes respondem por 50% das mortes de trânsito. Pesquisas internacionais mostram que um pedestre atingido por um automóvel a 60 km/h tem 95% de probabilidade de morrer, a 50 km/h este índice cai para 50% e a 30 km/h fica em 5%. "Essas zonas colocam a circulação dos veículos no mesmo nível das calçadas, e isso mostra que é o carro que está invadindo o espaço dos pedestres e não o contrário. É preciso equilibrar as coisas. Mostrar que as vias são das pessoas, mais do que dos carros. Por isso no exterior algumas cidades têm adotado as zonas 30 ", apontou.
A lei 12.587/12, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana, estabelece que todas as cidades acima de 20 mil habitantes têm até abril de 2015 para elaborar seus planos de mobilidade urbana. Os municípios que não o fizerem podem perder importantes recursos federais. "Nós levaremos um ano e meio para deixar tudo isso pronto", garantiu Geirinhas. Entre outras ideias aventadas, ele também apontou que as vagas de estacionamentos em vias públicas na região central podem ser diminuídas. "O mundo moderno não permite o estacionamento nos centros das cidades. Os estacionamentos ficam fora do centro e as pessoas devem adotar o transporte público ou ir à pé para circular por essas áreas". Conversões à esquerda também seriam avaliadas para evitar o estrangulamento do trânsito. Geirinhas também ressaltou que uma solução adotada no centro não quer dizer necessariamente que ela será adotada em um bairro. "Cada região da cidade possui suas próprias características", destacou.
CICLOVIAS
O coordenador de projetos ressaltou também a importância da bicicleta como modal de transporte a ser incentivado na cidade. "As ciclovias necessariamente estarão incluídas nesse plano", enfatizou Geirinhas.
"O modelo de transporte público deve ser sustentável não só do ponto de vista econômico, mas também precisam ser confiáveis. Poucas cidades enxergam o potencial do transporte não motorizado e Londrina é uma das cidades que está implementando ciclovias que podem ajudar a integrar um sistema de transporte com outro", destacou Diogo Ferreira.
Ele expôs que muitas pessoas que dirigem questionam quando estão nos congestionamentos o porquê dos outros não utilizarem os ônibus quando eles mesmo não o fazem. "É preciso atender as necessidades da maioria, que utiliza o transporte público, em detrimento das necessidades individuais, mas isso não quer dizer que a pessoa que anda de carro está errada. Só precisamos equilibrar mais essa equação".


