Londrina está entregue às pragas urbanas
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quarta-feira, 08 de novembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Sem um programa público de controle de pragas urbanas, mais uma vez Londrina enfrenta a chegada dos dias quentes desprotegida contra ratos, baratas, escorpiões, aranhas e outros animais potencialmente nocivos à saúde. Especialistas afirmam que moradores e donos de empresas podem fazer sua parte para se defender, mas que é essencial que as prefeituras também promovam um trabalho constante de prevenção e combate às pragas.
Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Macul, ex-presidente da Associação Paulista dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas (Aprag), a proliferação desses animais está diretamente ligada à condição sanitária dos municípios e à qualidade de vida. Como sempre, os mais pobres são também os mais vulneráveis ao problema. Em áreas onde não há saneamento básico adequado, a quantidade de pragas e doenças transmitidas por elas é maior.
Que o diga a dona-de-casa Rosilda Bueno, 37 anos, moradora do assentamento Nossa Senhora Aparecida, na Zona Norte de Londrina. Quando o clima esquenta, o barraco insalubre em que vivem também o marido e duas filhas é dividido com ratos, baratas e até sapos. ''Os ratos são o maior problema, um maior que o outro. Um deles mordeu meu pé um dia. Por sorte, nunca pegamos nenhuma doença'', diz.
O chão da pequena moradia - metade encoberto por tábuas bambas, metade de terra batida - é esconderijo perfeito para os bichos indesejados. Pelos buracos do teto, entram chuva e insetos. Com dificuldade para andar devido a um acidente, o aposentado Francisco, 67 anos, marido de Rosilda, faz questão de levar a reportagem até o local onde está instalada a fossa do barraco. O sistema passa debaixo do quarto da família. ''Colocamos o armário em cima para não ter risco de a gente cair, mas a terra está cedendo'', revela.
A convivência com as pragas acaba consumindo parte do minguado rendimento da família. Alimentos são perdidos e dinheiro é gasto para comprar veneno. ''Pior que não adianta. Parece até que os ratos e baratas gostam'', lamenta Francisco.
Para o engenheiro agrônomo Eloy Spagnolo Júnior, de Londrina, além de investir em saneamento básico, o Município deveria contratar um serviço de desinsetização que fosse além do combate ao mosquito da dengue. Empresário do ramo, ele promoveu um evento de conscientização sobre controle de pragas urbanas na semana passada em Londrina, assistido por representantes de várias prefeituras de região. ''As pragas nunca acabam, por isso é necessário um controle constante. Isso tem de ser incluído nos orçamentos municipais, pois é questão de saúde pública'', defende.
Macul afirma que é mais barato investir em controle de pragas do que no tratamento de doenças causadas por elas. ''São Paulo chegou a ter em torno de 15% a 20% dos leitos de hospitais ocupados por pacientes com leptospirose (doença infecciosa trasmitida principalmente por ratos). Quanto custa isso?'', questiona. Ele cita ainda que muitos casos diagnosticados como viroses, por exemplo, podem na verdade ter origem em bactérias transmitidas por pragas.


