O geógrafo Maurício Polidoro, especialista em Análise Ambiental e mestrando em Engenharia Urbana, integra um grupo de pesquisadores que trabalha no projeto ''Impactos Ambientais e Urbanos em Áreas de Expansão'', financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo, em parceria com universidades, incluindo a UEL. Além disso, ele está na fase final de um estudo da UEL sobre transporte urbano em Londrina.
Segundo Polidoro, o deslocamento e congestionamento não são mais problemas exclusivos das metrópoles. ''Londrina está em um período crucial, pois já tem características de metrópole. É importante definir se ela será moldada nos velhos hábitos das metrópoles brasileiras ou se será uma vanguarda, agregando o planejamento urbano do município, em nível regional'', afirma.
Para isso, Polidoro ressalta a importância de enxergar a cidade em um todo e não só com o problema do transporte. ''Já na década de 60 havia uma preocupação com o plano diretor, focado no uso e ocupação do solo e no sistema viário. Porém, não se podia imaginar que ela iria crescer tão rápido'', diz.
O geógrafo explica que a questão da densidade demográfica está intimamente ligada ao deslocamento das pessoas. ''É bem custoso para o Poder Público o deslocamento por transporte coletivo de áreas de alta densidade demográfica como o Cinco Conjuntos, na Zona Norte, o União da Vitória (Sul) e Jardim Leonor (Oeste) para outras, como o Centro.''
Segundo o geógrafo, os moradores dessas áreas que utilizam o transporte público têm que passar por bairros de densidade baixa ou média para chegar ao Centro. ''E aqueles que estão concentrados próximos à Região Central, em bairros de baixa densidade, costumam ter uma renda superior e utilizam o transporte individual. Essa lógica resulta em um congestionamento das vias de acesso, principalmente as que ligam o Centro com as regiões mais populosas e distantes.''
Como soluções, Polidoro aponta desde a integração das faixas exclusivas de ônibus até a criação de bicicletários nos terminais de grande fluxo. ''Os usuários poderão circular pelas vias alternativas, mas será necessário criar ciclovias, que implicam diretamente em diminuir o espaço dos carros nas ruas. Isso é outro problema, pois ainda existe a necessidade de sensibilização e um avanço geral em todo o país na questão de transporte alternativo.''
Sobre as faixas exclusivas, o especialista diz que o trânsito fluiria melhor se elas fossem integradas. ''Os ônibus conseguem andar bem em vias que possuem a faixa, mas acabam desembocando em ruas que não têm e, com isso, há novamente um congestionamento'', ressalta. Para ele também é importante ter ônibus mais confortáveis para que a população de maior renda se sinta atraída a utilizá-los.
Outro fator é a flexibilização do zoneamento de modo que o uso comercial e de serviços sejam agregados no mesmo bairro ou região. ''A concentração na Região Central ainda é muito marcante em Londrina e é um problema para a grande população que precisa se deslocar de áreas longínquas e encontra dificuldade pelo tempo do trajeto'', ressalta. (M.O.)

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