Londrina enfrenta outra pane de telefones
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Telma Elorza 
Cerca de 50 mil usuários de telefonia fixa de Londrina sofreram ontem com uma nova falha no sistema operacional da Sercomtel. Quem tentou fazer ligações interurbanas e locais entre prefixos diferentes, das 9h10 às 10h30, não conseguiu completá-las. Na maioria das vezes era ouvido o sinal de ocupado após o número ser digitado. As ligações só se completavam entre telefones com o mesmo prefixo. Foi a terceira pane na Sercomtel em menos de três meses. As outras duas ocorreram em 19 de julho e 15 de agosto.
''No começo do ano, a Sercomtel implantou uma solução inovadora para otimização da estrutura e dos recursos para operacionalização. Por ser pioneira, infelizmente está sujeita a riscos'', argumentou o gerente da área de manutenção da Sercomtel, Francisco Secco. Mas a empresa se negou a divulgar o nome do fornecedor e o valor investido nessa ''solução inovadora'' que vem apresentado problemas frequentes.
Para o corretor da Bolsa de Cereais e Mercadoria de Londrina (BCML), Alessandro dos Santos, 26 anos, as panes telefônicas estão se tornando um problema crônico. Santos, que foi prejudicado nas duas últimas ocasiões em pleno leilão de mercadorias, disse que o mesmo não aconteceu ontem apenas por sorte. ''No primeiro leilão perdi mais de R$ 1.500,00 porque fui impossibilitado de me comunicar com meus clientes. Se tivesse acontecido de novo, iria acionar judicialmente a Sercomtel'', afirmou.
Segundo o gerente de área de manutenção da Sercomtel, a falha foi causada por uma inconsistência no programa de computador, especificamente na plataforma multimídia da empresa que concentra transmissão de voz, dados e imagens. A pane acarretou congestionamento em algumas rotas de saída. ''Não aconteceu com todas as centrais. Quem ligou do prefixo 324 para o mesmo prefixo, por exemplo, completou a chamada normalmente. O problema era a comunicação entre as centrais'', explicou.
Francisco Secco disse que nenhuma das falhas ocorridas até agora foi igual à outra, apesar do resultado ser semelhante para os usuários. ''Nós já acionamos o fornecedor do programa e repassamos todas as informações disponíveis para que a inconsistência seja sanada, como foram as outras'', declarou. Porém, a possibilidade de novas falhas é admitida pela empresa. ''Nós fazemos monitoramento do equipamento 24 horas por dia mas, infelizmente, a tendência é acontecer de novo. Principalmente nos períodos com uma grande quantidade de chamadas, como é o da manhã. A nossa intenção é minimizar os problemas ao máximo'', disse.
Segundo o coordenador do Procon de Londrina, Tito Valle, os usuários que se sentirem prejudicados e tiveram prejuízos econômicos pelas constantes falhas podem acionar a empresa por danos morais e materiais. ''É lógico que terão que comprovar as perdas, o que não é fácil'', salientou. Segundo ele, o Procon recebeu inúmeras reclamações por telefone, sem registro formal de queixa.


