Irritação na garganta e nariz, pele ressecada, mal-estar. Seja qual for o sintoma, difícil é encontrar alguém que não esteja sendo afetado pela pior seca dos últimos tempos. Na tarde da última quarta-feira, Londrina registrou 15% de umidade relativa do ar, o menor índice do ano. O mínimo preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 60%.
O movimento em hospitais, postos de saúde e clínicas particulares confirma o problema. De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Universitário (HU) de Londrina, houve aumento de 35,5% nos casos de infecção de vias respiratórias em crianças de zero a 11 anos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 315 registros em junho e julho deste ano, contra 203 no mesmo período de 2005. A assessoria do Hospital Infantil informou que os médicos do pronto-socorro observaram um aumento de aproximadamente 30% no atendimento a doenças respiratórias neste mês.
O Pronto Atendimento Infantil (PAI) não tem estatísticas específicas sobre enfermidades associadas ao clima, mas no resumo de atendimentos o mês de junho foi o mais crítico. A unidade prestou 9130 consultas no período, 12,5% a mais que em 2005. A diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Simone Garani Narciso, diz que o movimento aumentou nos postos e que ''provavelmente'' isso é resultado da seca.
''Na minha própria casa, sinto o reflexo da baixa umidade: eu estou gripada, meu filho está com sinusite. Nas unidades de saúde com plantão de 16 e 24 horas, o problema climático coincidiu com a greve dos servidores e fez crescer a procura'', afirma. Para amenizar os efeitos do tempo seco, Simone recomenda que as pessoas adotem hidratação abundante, higienizem os ambientes, mantenham janelas abertas e evitem o uso de aparelhos de ar-condicionado.
A pneumologista Janne Takahara explica que, ao respirarmos o ar com pouca umidade, nossas vias aéreas se ressecam e produzem menos secreção protetora. Isso facilita a proliferação de microorganismos, deixando as pessoas suscetíveis a gripes, pneumonias e outras doenças. São comuns irritações de garganta e sangramento nasal. ''Os indivíduos podem se proteger deixando recipientes com água nos ambientes. Vaporizadores são contra-indicados, porque aumentam a concentração de ácaros'', aconselha.
A pele também exige atenção especial enquanto persistir o clima atual. A dermatologista Lígia Martin diz que tem recebido vários pacientes com sintomas associados à seca, como coceiras, eczemas, pruridos e ressecamento de lábios. ''Com a queda na umidade, existe uma perda maior de água e a pele fica muito mais ressecada. Mesmo quem tem pele oleosa está sofrendo'', observa. As dicas são simples: abuse dos hidratantes e diminua o tempo dos banhos. A médica sugere cuidados redobrados a quem pratica esportes aquáticos.
Se as previsões do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) estiverem corretas, nosso organismo deve respirar mais aliviado nos próximos dias. De acordo com a meteorologista Ângela Costa, de Londrina, uma massa de ar frio que se desloca do Sul deve provocar chuva na região e impactar diretamente na umidade. Ufa!

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