Índios também aproveitam o intenso movimento do trânsito para vender artesanato e mendigar. Em Londrina, não é difícil encontrar famílias indígenas - normalmente mulheres e crianças - pedindo próximo a supermercados, restaurantes e semáforos.
A reportagem conversou com uma índia de 29 anos, natural da aldeia kaingang Ivaí, em Manoel Ribas (Centro), em um semáforo da Avenida Madre Leônia (Zona Sul de Londrina). Acompanhada por dois filhos pequenos - com seis e dois anos - ela vendia cestos. Mas entre uma venda e outra, o indiozinho mais velho também pedia moedas aos motoristas. Segundo a mãe, o artesanato é a única fonte de renda dela e das crianças, que praticamente não conheceram a figura paterna: ''o pai do mais velho morreu esfaqueado num bar um mês antes dele nascer. O do outro morreu um mês depois dele nascer, por causa de um choque elétrico''.
A família dormia no Terminal Rodoviário e durante o dia perambulava de semáforo em semáforo. ''Lá na aldeia eles falam que Londrina é uma cidade rica, onde a gente ganha mais dinheiro'', argumenta a mulher
O administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Londrina, Mário Jacinto, comenta que o problema da mendicância é um desafio, mas que é preciso trabalhar a questão com ''delicadeza, respeitando o sentimento das famílias''. Ele observa que, originalmente, os índios vêm para a cidade para vender artesanato, mas trazem crianças que acabam expostas à riscos e sendo usadas para esmolar.
Segundo Jacinto, a mendicância indígena expõe as privações nas comunidades. ''As reservas estão muito carentes e se não forem tomadas providências, este é um problema que pode se agravar'', adverte, lembrando que a terra atualmente ocupada pelos índios não garante sobrevivência e, para agravar, a população está crescendo. Apenas a Aldeia Apucaraninha soma cerca de 1,5 mil indivíduos. (L.A.)

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