Londrina é referência
Londrina é referência em terapia comunitária no País, tanto que recebeu incremento nos recursos do Ministério da Saúde para continuar capacitando agentes de saúde em terapeutas comunitários. ''Quanto mais feliz, menos doente a população fica'', justifica a psicopedagoga Maria da Graça Pedrazzi Martini, supervisora do serviço de Terapia Comunitária de Londrina.
Segundo ela, nas rodas os terapeutas também estimulam líderes das comunidades a promoverem mudanças na realidade das famílias. Um bom exemplo é o da dona de casa Aparecida Luiz Rochoel, 56, que de tanto participar das rodas terapêuticas no Distrito de Lerroville (Zona Sul), foi presenteada pela prefeitura de Londrina com um curso para tornar-se terapeuta comunitária.
Ela mudou-se com o marido de Arapongas (Norte), há 16 anos, para buscar melhores condições de vida e como teve de deixar a filha mais nova com a avó, sofria dia e noite de saudade da família. ''Tudo era difícil. Visitávamos Arapongas todo mês, mas era pior porque voltar para Lerroville era triste'', recorda.
Bastante comunicativa, Aparecida se viu a caminho da depressão quando o marido começou a beber. Ela decidiu dar uma guinada: como não tinha dinheiro para voltar a Arapongas, escolheu fincar raiz. ''Ao me doar à comunidade, ajudei a mim mesma.''
E a terapia comunitária foi a luz que ela estava esperando. Aparecida foi tão bem acolhida na roda que passou a se expressar com poesia. ''Sempre achava mensagens que combinavam com o tema discutido na roda'', conta a dona de casa, que acabou assumindo o lugar de auxiliar da terapeuta durante as rodas.
''Comecei de exibida e hoje, depois do curso, me sinto melhor como co-terapeuta. Gosto do contato com o público, de receber e conversar com as pessoas'', diz Aparecida, que aprendeu, na terapia comunitária, a conviver com as diferenças. ''Hoje sei que devemos mudar o que pode ser mudado e aceitar o que não pode. Sou mais calma, feliz e preparada para lidar com as crises, que sempre vão acontecer.'' (M.G.)





