Os números nem se comparam com a pior epidemia de dengue vivida pelo município em 2003, quando foram confirmados 7410 casos sendo dois do tipo hemorrágico, com óbitos. Desde então, o combate à doença foi intensificado e houve acentuada queda nos anos seguintes. Este ano, no entanto, a tendência se reverteu e já foram confirmados 46 casos (23 autóctones) até anteontem, o que posiciona Londrina em quinto lugar no ranking da dengue no Estado, entre 70 municípios. E o próximo verão pode ser ainda pior.
Dos 46 casos confirmados, a metade veio trazida de outras cidades. Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde está analisando o caso de uma moradora em Arapongas que teria sido contaminada em Londrina. Reflexo, segundo a gerente de epidemiologia da Secretaria, Sônia Fernandes, da intensa movimentação de pesssoas e da tendência nacional de aumento dos casos neste ano. Em 2005, foram registrados apenas 15 casos da doença em Londrina.
Ela explicou que o rápido crescimento absoluto no número de casos em Londrina da semana passada para esta de 32 para 46 ocorreu porque muitos exames enviados em abril para o Laboratório Central do Estado (Lacen) atrasaram por causa da falta de kits. Mesmo assim, Sonia diz que o cenário atual é preocupante ''porque deixa claro a circulação do vírus no município e a necessidade de interromper essa circulação até o próximo verão''. Ela alertou que a queda da temperatura não será suficiente para acabar com os focos do mosquito.
Com 12 confirmações, a Zona Norte é a que mais registrou casos da doença este ano. Naquela região, no Conjunto Maria Cecília, reside a secretária Luciana Medeiros. Há dois anos, sua mãe foi picada pelo mosquito e ficou cinco dias de cama com fortes dores pelo corpo. Por isso, não pensa duas vezes para abrir os portões de casa para os agentes de controle de endemias. ''Acho que sem eles, as pessoas não iriam cuidar dos quintais'', comentou. Na Zona Leste, quatro pessoas de uma mesma família ficaram doentes. Eles teriam confundido os sintomas e demorado em procurar ajuda médica.
O diretor de Saúde Ambiental de Londrina, Maurício Barros, destacou que toda a cidade foi convocada para combater o Aedes aegypti. As ações, segundo ele, se desenvolvem em diversas frentes: pelos 180 agentes que vistoriam casas e quintais, informam e autuam os moradores quando encontram focos do mosquito; por ações desenvolvidas por setores da comunidade, como igrejas e escolas, que panfletam em semáforos, supermercados e agora em feiras livres. Desde o início de março, a Secretaria de Saúde já aplicou 782 multas contra proprietários de imóveis onde foram encontradas larvas, criadouros ou focos do mosquito causador da doença. Quem tiver reclamações, sugestões e pedidos relacionados à dengue pode ligar gratuitamente para o 0800-400-1893.

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