Londrina é dos motociclistas e suas máquinas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Lúcio Flávio Moura<BR>De Londrina 
Parece que o ponto final da Rota 66 foi transferido para Londrina. A legendária rodovia norte-americana que liga muito mais do que Los Angeles a Chicago fica a milhares de quilômetros, mas uma filial de seu espírito está instalado a partir de hoje no Autódromo Internacional Ayrton Senna.
Homens maduros que não perderam a alma aventureira, devidamente paramentados, amantes da cerveja, do vento no rosto e do rock-n'-roll, vindos de todo o País, Argentina, Chile e Paraguai encontraram no Norte do Estado o porto seguro para curtir a vida nos próximos três dias.
A expectativa dos organizadores do 1º Encontro Internacional Motociclístico é que 30 mil pessoas compareçam ao autódromo para acompanhar uma extensa programação, que inclui as mais variadas performances, além de uma exposição de veículos antigos, uma feira de artigos para motos e shows de rock, realizados em uma grande tenda semelhante a um circo, onde também haverá festas diárias a partir da meia-noite. Os ingressos custam R$ 3,00. Quem for ao autódromo de moto não paga nada. A programação será iniciada diariamente às 9 horas.
De acordo com os organizadores, o principal objetivo do evento é mostrar o ''real perfil'' dos motociclistas, frequentemente ligados a imagem de arruaceiros. No material de divulgação do evento, são descritos como pessoas de situação definida, formadores de opinião, geralmente casados e com filhos, filiados a um moto clube local e donos de motos que custam entre R$ 8 mil e 100 mil.
''Dificilmente há alguma confusão em eventos do gênero'', afirma Eduardo Francisco Pinto da Silva, um dos organizadores. ''Não se pode confundir motoqueiro, aquele sujeito que gosta de se aparecer andando em alta velocidade e fazendo barulho, com o motociclista, que é um cara responsável que respeita a lei de trânsito e cuida muito bem do seu veículo'', ressalta Luiz Carlos Pielak, outro integrante da organização, que mobilizará cerca de 200 pessoas.
Entre malabaristas, pernas-de-pau, luta de mulheres no gel, pára-quedistas, cuspidores de fogo e shows de wheeling (performance sobre a moto), haverá também espaço para o comércio. Serão 50 pontos de venda nos boxes, oferecendo de sanduíches a capacetes. Estima-se a comercialização de cerca de 50 mil cervejas em lata. As latinhas serão doadas para duas instituições de caridade da cidade, que também terão espaço para vender peças de artesanatos.
Também haverá espaço para uma manifestação contra a cobrança de pedágio para motos no Paraná, um dos únicos Estados do País a não isentar os motociclistas. Um abaixo-assinado percorrerá o autódromo. Outro destaque é o passeio de milhares de motos por avenidas da cidade na tarde de sábado.


