Londrina pode voltar a abrigar associações de artesãos na Área Central. Dois grupos de homens e mulheres que trabalham com couro, crochê, bordados e outros produtos artesanais estão pedindo apoio do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) para abrir novos centros de venda. Alguns deles trabalhavam no Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), que foi montado em 2003 para abrigar os trabalhadores que vendiam suas mercadorias nas praças Marechal Floriano Peixoto e Rocha Pombo - Centro - e funcionou até maio deste ano na Avenida Rio de Janeiro.
Segundo o presidente do Idel, Mauro Viecili, as propostas ainda estão sendo analisadas pela Comissão de Implantação Industrial do órgão, mas ele antecipou que a princípio não vê nada que impeça o município de ajudar os artesãos. ''No caso do Cereal houve desvirtuamento de função, muitos ali já não vendiam mais artesanato. Desta vez não, checamos e todos realmente trabalham com produtos artesanais'', disse Viecili.
A reivindicação dos artesãos, de subsídio de parte dos aluguéis, está sendo analisada pela Procuradoria Jurídica do município. ''Trata-se de dinheiro público, precisamos tomar muito cuidado para que não aconteça o mesmo que da outra vez'', ressaltou. O prédio que abrigava o Cereal foi desocupado há três meses em cumprimento a ordem judicial resultante de uma ação de despejo por falta de pagamento do aluguel, água e luz, totalizando uma dívida de R$ 150 mil junto ao proprietário do imóvel. De acordo com Viecili a antiga direção do Cereal ainda tem uma dívida de cerca de R$ 24 mil com o município, que está sendo cobrada na justiça.
Os dois grupos que pleiteiam novo apoio totalizam 100 artesãos, divididos em um grupo de aproximadamente 80 e outro de 22. Viecili não revelou os locais em que eles pretendem montar seus negócios ''para não inflacionar o aluguel'', que deverá ser subsidiado pelo município durante um período pré-determinado.
Sebastião Ribeiro de Souza, presidente da ONG Uniflor, que reúne 22 fabricantes de bolsas, chinelos, cintos e camisetas, entre outros produtos, acha que desta vez o projeto tem tudo para dar certo. ''Procuramos o Sebrae, que nos ajudou no projeto, e isso nos dá um diferencial. Não somos atravessadores, comercializamos apenas o que produzimos'', afirma Souza, que trabalha com artigos de couro há 32 anos.
Ele conta que nunca chegou a ter loja no Cereal, mas fornecia produtos para os comerciantes. ''Tinha um pessoal lá que ia até São Paulo buscar mercadoria. Não era só artesanato.'' Segundo souza, atualmente os integrantes da ONG comercializam sua produção em feiras agropecuárias, lojas e, em alguns casos, nas ruas. Com a abertura do centro de venda, todos concentrarão seus negócios apenas no local.

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