Londrina deve ganhar mais camelódromos
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segunda-feira, 06 de março de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Em breve Londrina deve ganhar mais dois camelódromos. O próximo a se instalar, ao que tudo indica, será no Calçadão, no prédio da Galeria Augustus. As negociações já estão adiantadas, dependendo apenas da assinatura do contrato de locação com os proprietários. O outro camelódromo está sendo construído na esquina na Rua Benjamin Constant com Avenida São Paulo, e deverá ter os espaços vendidos aos futuros comerciantes.
O camelódromo do Calçadão está sendo montado pela Organização Não Governamental (ONG) dos Trabalhadores Desempregados de Londrina Trabalho para Todos, que reúne 300 integrantes. O representante da ONG junto à imprensa, Edson Carlos Bolski, informou ontem que o nome do empreendimento ainda não está definido, mas deverá ser Camelódromo Central.
Segundo Bolski, a intenção é inaugurar as lojas em no máximo 60 dias. ''Já está tudo encaminhado com os proprietários, mas depois da assinatura do contrato ainda temos que fazer a divisão dos boxes.'' A diretoria da ONG e mais detalhes sobre o camelódromo serão apresentados amanhã, durante uma coletiva de imprensa.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, disse que foi procurado na semana passada pelo grupo, que pediu apoio do município no sentido de agilizar a liberação dos documentos. ''Não nos foi pedida nenhuma ajuda financeira, até porque estamos impedidos pela justiça de fazer isso.'' Campos afirmou que a prefeitura vai fazer todas as exigências normais para a liberação dos alvarás de funcionamento das lojas.
Cada um dos 300 lojistas, segundo o presidente da CMTU, vai pagar um aluguel de R$ 100,00 por mês, totalizando, portanto, R$ 30 mil mensais. ''Segundo fomos informados, o proprietário do imóvel aceitou o depósito de 10 meses de aluguel adiantado como forma de caução, dispensando fiador'', revelou.
Sobre a ocupação de um espaço nobre do centro da cidade com lojas populares, Campos argumentou que o Calçadão já demonstrou sua vocação para este tipo de comércio. ''Todas as lojas mais sofisticadas que foram abertas ali tiveram que fechar as portas.'' Da mesma forma, ele acredita que o próprio mercado vai definir se Londrina ainda comporta mais camelódromos. ''O comércio é regulado pela lei da oferta e procura. Ainda tem muita gente querendo se estabelecer neste tipo de atividade. Na hora que não tiver mais espaço, o próprio mercado vai sinalizar.''
Para o integrante da ONG Canaã, que administra o Shopping Popular de Londrina (instalado com apoio do município na esquina das Ruas Mato Grosso com Sergipe), Ulisses Sabino, a abertura de novos camelódromos não vai chegar a prejudicar as vendas para os mais antigos. ''Vamos apenas repartir um pouco mais o pão. Lógico que a concorrência vai aumentar, mas é um processo natural neste país que não dá condições de trabalho para todos. Esta é a maneira que as pessoas estão encontrando para sobreviver'', defendeu.
Segundo Sabino, o grupo que integra a ONG do novo camelódromo nada tem a ver com outro que tentou instalar empreendimento semelhante na Avenida Leste-Oeste, no ano passado. ''Aquele terreno está com problemas na justiça. Este pessoal é outro'', garantiu.


