A reciclagem de lixo não orgânico em Londrina poderia aumentar mais de 60% se os condomínios e grandes supermercados aderissem à idéia. Com isso, aproximadamente 60 toneladas de material reciclável deixariam de ser depositadas diariamente no aterro sanitário, que já recebe 300 toneladas de lixo comum. Os dados foram passados pelo coordenador do programa Coleta Seletiva da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), José Paulo da Silva.
De acordo com ele, a coleta de lixo reciclável em Londrina alcança 90 toneladas por dia. O material inorgânico - vidro, papel, plástico e metais -, ocupa 70% do volume. A coleta seletiva em Londrina é realizada por 30 ONGs, que empregam cerca de 500 pessoas.
Das 60 toneladas de reciclável que continuam sendo misturadas ao lixo orgânico, a maior parte é gerada pelos mais de 400 prédios da cidade. A estimativa é de que apenas 10% dos condomínios participam do programa.
''O serviço está à disposição deles, mas existe muita dificuldade para o pessoal das ONGs entrarem em contato com os moradores. Geralmente, esbarram nos porteiros e zeladores, ou na falta de interesse dos síndicos'', afirma o coordenador.
''Nas residências é mais fácil porque os coletores conseguem sensibilizar diretamente os moradores''. As ONGs coletam o lixo nas residências e separam por tipo de material. Posteriormente, o volume é vendido para empresas privadas que fazem a reciclagem, e a renda é repartida entre os coletores.
Para contornar a dificuldade com os prédios, José Paulo da Silva diz que a CMTU convocou 360 síndicos da região central para uma reunião, no final de 2005, mas apenas seis compareceram. O diretor operacional da companhia, Fábio Reali, afirmou à Folha que vai insistir no trabalho de sensibilização, mas não apresentou propostas concretas para reverter o quadro a curto e médio prazos.
Quanto aos supermercados, o coordenador do programa explica que há um projeto piloto bem sucedido em andamento em uma das maiores unidades da cidade. ''Vamos estender o modelo para o resto da rede brevemente'', garantiu José Paulo da Silva.
O representante da Associação de Reciclagem da Área Central (ONG Aracen), Carlos Roberto da Silva, confirma a dificuldade com os prédios e diz que o aumento da capacidade de coleta iria contribuir para incrementar a renda dos participantes do programa. ''Tem alguns porteiros legais que gostam de ajudar, mas a maioria não quer nem conversar com a gente. Em algumas rotas que tem mais de 20 prédios, apenas dois ou três participam'', exemplifica.
Ex-catador autônomo de papel, Carlos Roberto conta que o trabalho na ONG é ''mais seguro'', mas a renda mensal de R$ 250 a R$ 300 é insuficiente para a manutenção das famílias. ''Quanto mais a gente coletar, maior o salário. Por isso a gente pede para o pessoal dos prédios participarem''.
Seu colega de ONG, o coletor Genésio Rodrigues Lopes, ressalta a função ambiental da coleta seletiva. ''Se o cidadão ama a vida, é obrigado a ajudar. A natureza e o solo agradecem''.
As 60 toneladas de material reciclado que são desperdiçadas poderiam render R$ 1.800 por dias para as ONGs de reciclagem - o equivalente a quase R$ 6 milhões por ano.

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