Telma Elorza
De Londrina
Apenas 20% da área física do município de Londrina é atendida pelo programa de coleta seletiva de lixo. Enquanto a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) não amplia o serviço, anunciado para breve, a população não sabe o que fazer com os materiais que separa voluntariamente, incentivadas por campanhas de conscientização ecológica.
A maior dificuldade encontrada para quem quer ter uma postura ecológica politicamente correta e, além disso, obter lucro com o ‘‘lixo que não é lixo’’ é encontrar quem compre o material reciclável. Muitas iniciativas particulares fracassam por depender do trabalho dos catadores que, em sua maioria, selecionam apenas aquilo que lhes interessa. Outras iniciativas como a do Residencial Água Verde, localizado no bairro Água Verde, zona sul de Londrina, ficam comprometidas porque não conseguem comercializar todos os recicláveis recolhidos. Resultado: metade do material que poderia ser reciclado acaba tendo como destino o lixo comum.
O residencial, com 744 apartamentos, é um dos poucos condomínios de Londrina que fazem a coleta seletiva. Segundo a artesã Maria Juliani, 63 anos, o programa de reciclagem do condomínio começou há quatro anos. ‘‘Na época, nós tinhamos um grupo que achava um desperdício jogar tudo aquilo no lixo. Aí fizemos uns panfletinhos e começamos a campanha’’, contou.
Segundo a artesã, para ajudar a campanha, no condomínio foi construída uma área específica para guardar e separar o material recolhido. ‘‘E deu resultado já que o pessoal começou a fazer a separação. Hoje, embora não sejam todas, grande parte das famílias que moram aqui fazem a reciclagem’’, disse.
O problema, porém, é que o condomínio só consegue vender papéis, plásticos duro, latas de alumínio e embalagens de ovos. ‘‘Infelizmente, não temos comércio para vidro, plástico comum e latas de conserva, entre outros, que acabam sendo colocados no lixo comum.’’
Segundo ela, os materiais são vendidos para um intermediário que vai buscá-los no condomínio. Por mês, a venda rende em torno de R$ 35,00 a R$ 40,00. ‘‘Nós temos um setor de eventos e festas comunitárias e esse dinheiro vai todo para ele. Embora pareça que não é muito, sempre dá para fazer festas juninas e do Dia das Crianças, além de comprar os enfeites de Natal dos prédios’’, afirmou.
A falta de informação sobre como organizar ou até mesmo que destino dar ao lixo reciclável já prejudicou também outro condomínio, o Residencial Nova Inglaterra, no Jardim Monte Belo, na zona sul. O condomínio, com 320 apartamentos que produzem cerca de uma tonelada de lixo por dia, tentou implantar um programa de reciclagem há cerca de um ano. Mas, segundo a síndica Cleonice de Oliveira Bandeira, a o trabalho não foi para frente. ‘‘No início, nós fizemos várias reuniões para discutir como a seleção poderia ser feita, mas acabou não indo em frente’’, disse.
Segundo ela, o principal problema foi que poucas pessoas se interessaram e os envolvidos não sabiam como dar continuidade ao trabalho. ‘‘Pedimos para AMA mandar um representante para nos orientar como fazer, onde vender, mas nunca apareceu ninguém. As empresas de reciclagem que contatamos também faziam um monte de exigências, tipo uma quantidade ‘‘x’’ de material que a gente não podia garantir e levar até elas’’, afirmou. Para Cleonice ver todos aqueles materiais sendo jogados fora é um grande desperdício. ‘‘A gente sabe que muito daquilo que vai para o lixo poderia ser reaproveitado. Mas, para dar certo, todos tem que se envolver. Com mesmo que se arrecade pouco, é lucro para o condomínio’’, afirmou.

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