Londrina cresce menos que cidades-pólo
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terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Londrina termina o ano de 2004 como a cidade que deve apresentar o menor crescimento populacional entre os municípios paranaenses com mais de 250 mil habitantes. A estimativa, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê que a população na cidade deve saltar dos atuais 467.335 para 480.822 - um aumento de 2,88%. Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Curitiba devem sofrer acréscimos mínimos de 3% no número de habitantes até o final deste ano. A queda no rítmo de crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi apontada pelo chefe da Agência do IBGE em Londrina, Alfeu Celso Campiolo, como uma das prováveis causas para a quebra na evolução populacional de Londrina.
Depois de Londrina, a cidade de médio porte com a menor taxa de crescimento estimado para 2004 é Ponta Grossa, com alta de 3%. Em seguida, aparecem Curitiba (3,25%), Maringá (3,26%), Cascavel (4,1%) e Foz do Iguaçu (5%). Para todas elas, Campiolo acredita que a migração seja a responsável pelo acréscimo. ''É uma tendência comum desde 1990 às cidades brasileiras de médio porte. Não há mais altos índices de crescimento vegetativo, calculado com base no volume de nascimentos e falecimentos. Há, sim, a qualidade de vida destas cidades atraindo a população dos pequenos municípios'', explicou.
Para justificar a teoria, o chefe do IBGE de Londrina usa como exemplo o decréscimo populacional das pequenas cidades, registrado desde o início dos anos 1980, e a mudança comportamental provocada pela igualdade sexual. ''Por um lado, observamos pequenas cidades assistirem à redução populacional. Por outro, a inserção da mulher no mercado de trabalho não permite mais que ela tenha preocupações exclusivas com a família. Isso colabora com a redução do número de nascimentos'', afirmou.
Mas, se a migração responde pelo crescimento populacional e Londrina cresceu menos que outros municípios do Estado, a cidade está deixando ser atraente? ''É possível'', respondeu Campiolo. ''Londrina já passou por uma explosão populacional nas décadas de 60 e 70, com crescimento superior a 5%. Crescimento, por sua vez, deteriora a qualidade de vida e isso não é atraente para quem vem de fora'', disse.
De fato, se Londrina não sofreu redução na qualidade de vida, assistiu a uma diminuição no ritmo de crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos últimos 10 anos. Usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como parâmetro para avaliar o bem-estar da população, o IDH leva em conta longevidade, educação e renda. E em Londrina, a melhora destes itens aconteceu de forma menor do que nas cidades usadas como comparativos.
De acordo com informações do site do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (www.pnud.org.br), o IDH de Londrina foi o que menos cresceu entre as grandes cidades do interior entre 1991 e 2000. Hoje fixado em 0.824, o índice de Londrina é considerado o ideal pela ONU, mas em alguns anos, pode ser ultrapassado pelas outras grandes cidades do Estado. Se os ritmos de evolução do IDH forem mantidos, Foz do Iguaçu (atualmente com 0.788 de pontuação) deve ultrapassar Londrina em 45 anos. Ponta Grossa (com atuais 0.804) levaria 9 anos; e Cascavel, 7 anos. Maringá, que em 1991 tinha IDH 0.762, já ultrapassou Londrina e hoje tem índice 0.841.
Campiolo, no entanto, não acredita que a cidade esteja sujeita a um decréscimo populacional. ''Violência e falta de planejamento assustam, mas não afugentam as pessoas. Além disso, Londrina ainda tem situação privilegiada nestes aspectos. Na minha avaliação, só é preciso voltar a priorizar estes pontos. A cidade, com certeza, pode manter um bom ritmo de crescimento'', concluiu.


