''Podemos crescer mais se mudarmos as políticas públicas. Londrina está crescendo menos do que pode'', disse o presidente do Clube de Arquitetura e Engenharia de Londrina (Ceal), Nelson Ricardo Brandão, sobre a colocação do município na pesquisa em Exame. E anunciou a criação da Câmara de Políticas Públicas, que terá caráter de ''auxiliar do prefeito'' e personalidade para exigir ações governamentais, nos termos do Estatuto da Cidade. O edital convocando entidades para a fundação da Câmara já está pronto.
Do ponto de vista de Brandão, um dos aspectos favoráveis ao crescimento é a conurbação envolvendo os municípios ao redor, todos em condições de receber indústrias, mas o pólo é Londrina, enquanto Joinville está isolada, apresentando limitações topográficas e territoriais, uma delas a baía tendo o porto de São Francisco do Sul no outro lado. ''Joinville é pontual, Londrina é regional'', resume.
Mas Londrina pode copiar o ''know-how'' de Joinville, que já tem uma empresa especializada em remoção de resíduos industriais, sugere Brandão, lembrando que certos tipos de resíduos têm de ser levados em caminhões fechados até a outros Estados, tratando-se de destinação pré-estabelecida em legislação. ''Isso é uma das coisas importantes que precisamos'', afirma, ''sem ela uma grande indústria pode não querer se instalar''. Reforçaria, também, o conceito de município que ''trata bem do ambiente''.
Observando que Londrina dispõe de matérias-primas, água e energia elétrica em abundância, Brandão vê a necessidade de se pensar as políticas públicas, mencionando o caso do Wal-Mart, impedido de se instalar na cidade. ''Se o Wal-Mart disser que compra a produção para colocar a sua marca, eu dou um jeito de abrir uma indústria, pois o mercado será o Brasil'', resume. A Prefeitura poderia estabelecer que o Wal-Mart tomasse a iniciativa de estimular a industrialização de produtos entre as condições para se estabelecer na cidade.
Mas, e a logística? Lembrado sobre a deficiência aeroportuária e a inexistência de uma rodovia inteiramente duplicada no sentido de unir a região ao Estado de São Paulo, o maior mercado brasileiro, Brandão disse que, em face do pedágio, será preciso criar-se ''o cenário propício a essa duplicação''. Isso se traduz por incremento da industrialização, gerando maior tráfego e, consequentemente, obrigando a concessionária a investir pela garantia de retorno.
A cidade precisa insistir também em uma outra indústria, a do turismo, segundo Brandão.(WS)

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