Londrina corre risco de epidemia de dengue
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2003
Betânia Rodrigues<br>rtagem Local 
Começa hoje o levantamento de informações para definição do índice de infestação do mosquito Aedes aegypti em Londrina. Esta é a primeira das seis etapas que serão realizadas durante o ano, conforme determinação do Ministério da Saúde. De cada vez são visitados 10% dos imóveis e todas as amostras coletadas são investigadas pelo laboratório de análises de larvas da Secretaria Municipal de Saúde.
O resultado da última pesquisa feita na cidade deve sair na próxima semana. A previsão do coordenador do controle de endemias da secretaria, Luiz Alfredo Gonçalves, é de que este índice fique acima dos 2%. ''Para que pudéssemos estar livres do risco de epidemia a porcentagem de infectação deveria ficar abaixo de 1%'', explicou.
Em 2002, Londrina registrou 1.459 casos suspeitos de dengue dos quais 399 foram confirmados. A região mais afetada pela virose foi a zona norte. Este ano, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu 42 notificações que estão sendo analisadas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), em Curitiba. De acordo com Gonçalves, o diagnóstico deve ser divulgado nos próximos 20 dias. Até lá, os quase 200 agentes de saúde intensificam o trabalho de erradicação dos criadouros do mosquisto na zona leste, região onde reside a maioria dos suspeitos.
Ontem, a reportagem da Folha acompanhou uma dessas equipes no Jardim Santa Fé (zona leste). Problemas com o saneamento básico e a conscientização dos moradores são os principais obstáculos enfrentados pelos agentes. Na casa de Ronaldo Lessa, 16 anos, foi encontrada no quintal uma piscina de plástico cheia de água. Segundo o rapaz, trata-se de uma reserva para o banho da família. ''Aqui falta água todas as tardes e só volta tarde da noite. Por isso, temos que nos prevenir logo cedo'', explicou.
Para a agente Rosimeire Mendes Amaral, as pessoas não têm noção do perigo que correm. A prova é a reincidência de criadouros nas residências. Segundo ela, o índice passa de 50% em toda a cidade. A maior parte deles está em caixas d'água, pneus e vasos de planta. A dona de casa Angela Maria Bueno garante que em sua casa nunca foi encontrado foco do mosquito. ''Quem não cuida é por relaxo mesmo. Informação tem bastante'', afirmou.
O aposentado João Kennedy de Oliveira atribui ao poder público o risco de uma epidemia. ''As pessoas daqui são discriminadas. Muitas vezes não conseguem trabalho porque são taxadas de ladrões e traficantes. Como é que uma pessoa abandonada na miséria vai ter ânimo para cuidar da limpeza da casa?'', questionou.


