Se não diminuir urgentemente o índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, Londrina pode vir a desenvolver casos de dengue hemorrágica, o pior tipo da doença que pode até matar. O alerta foi feito ontem pela diretora de Epidemiologia da Secretária Municipal de Saúde, Rosângela Alvanhan. Segundo a diretora, o índice médio de infestação do mosquito na cidade é alto, 5,23%. com alguns bairros apresentando índices de até 17%. ‘‘O problema é que a cidade vem convivendo com o mosquito há muito tempo e isso pode causar uma reinfestação e levar à dengue hemorrágica. Até agora o Paraná teve sorte, não apresentando nenhum caso confirmado, mas isto pode mudar logo’’ afirmou.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) o índice para uma endemia controlada seria abaixo de 1%. ‘‘Acima de 1% é preciso ficar alerta e, acima de 5%, é considerado grave, com risco de epidemia’’, disse Rosângela. De acordo com ela, somente este ano foram confirmados quatro casos de dengue, sendo três importados e um autóctone (quando a doença foi contraída na cidade). Existem outros 92 casos suspeitos na cidade. ‘‘Se por acaso um caso de dengue hemorrágica fosse ‘importado’ para cá, com o índice de infestação que temos, o quadro poderia ficar extremamente sério. Principalmente se houvesse demora na comunicação do caso como aconteceu com o último’’, afirmou.
De acordo com Rosângela, o último caso confirmado de dengue na cidade foi o de uma universitária, de 20 anos, que passou as férias em Cuiabá (MT). ‘‘Ela procurou médico e laboratórios particulares. O laboratório nos comunicou, mas houve uma demora nessa comunicação. O bloqueio acabou sendo falho por causa disso’’, disse.
De acordo com a diretora, só a eliminação total de focos do mosquito transmissor e a comunicação rápida de casos suspeitos podem evitar que a situação se torne incontrolável. ‘‘A sociedade deve se conscientizar que não adianta apenas esperar passar os carros do fumacê, porque ele só mata o mosquito adulto. Ela mesma tem que cuidar de sua casa e quintal eliminando os focos onde os mosquitos possam depositar seus ovos’’, afirmou.
Segundo dados do primeiro levantamento epidemiológico de 2002, os depósitos predominantes das larvas do Aedes aegypti nos imóveis de Londrina são latas e garrafas, com 44%; vasos de plantas, com 25%; caixas d’água, bueiros, material de construção e outros, com 10%; e pneus, com 7%. E o maior índice de infestação está na área central da cidade, com 7,74%. Nesta, o maior número de focos foi encontrado no Jardim Vânia, com 17%.

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