Londrina corre o risco de epidemia de dengue hemorrágica
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Célia Guerrae Fábio Galão<br> Reportagem Local 
A possibilidade de uma epidemia de dengue hemorrágica em Londrina em 2004 foi confirmada pelo secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier, que esteve ontem em Londrina. ''Até por estes casos que já apareceram, e pelo alto número de ocorrências da forma clássica deste ano, existe um risco'', disse ele.
Em sua passagem pela cidade, o secretário anunciou a criação de uma comissão que terá trinta dias para traçar um plano preventivo de combate à dengue a ser colocado em prática a partir de 21 de junho, a chamada Operação Inverno. As ações serão planejadas para um ano, de forma a evitar uma epidemia da forma hemorrágica da doença em 2004.
''Nossas ações não estão sendo suficientes para combater o mosquito da dengue. Temos muitas notificações e um número elevado de confirmações. O desafio não foi superado'', reconheceu ontem de manhã o secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, durante reunião com o Comitê Municipal de Mobilização Contra a Dengue.
Ele também admite o risco de uma epidemia de dengue hemorrágica no ano que vem. O secretário destacou que existem três casos confirmados da forma mais grave da doença, com uma morte. ''Vão surgir outros casos, não dá para prever quantos. Pode haver mais óbitos pelo elevado índice de letalidade da dengue''.
Xavier também autorizou ontem o pagamento de R$ 540 mil para as ações que foram realizadas no primeiro trimestre deste ano contra a dengue em Londrina, como o investimento em recursos humanos e carros fumacê, e anunciou acordos de cooperação com a Santa Casa e o Hospital Universitário (HU), que disponibilizarão leitos e estrutura física para o tratamento de infectados pela doença. Até junho, a Secretaria pretende investir mais R$ 700 mil.
''Para 2003, não há muito a ser feito que seja diferente do que está sendo realizado. A epidemia já está instalada, existe um ciclo da doença e a tendência é que as confirmações sigam numerosas pelas próximas semanas. Neste intervalo de tempo, deveremos ter mais casos esporádicos de dengue hemorrágica. Nossa maior preocupação está voltada para o ano que vem'', disse o secretário.
Segundo a diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal, Josemari de Arruda Campos, são 7.700 casos suspeitos e 1.590 casos confirmados, inclusive de contaminação pelo vírus 3 que exige tratamento mais especializado. A morte da auxiliar de enfermagem Isabel Cristina Fidelix Ramos, na última sexta-feira, de acordo com a diretora, assustou a população elevando as notificações no início da semana para 400 ao dia.
O gerente da 17 Regional de Saúde, Gilberto Martin, esteve reunido ontem pela manhã com dois técnicos do Ministério da Saúde e dois da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Eles elogiaram a integração entre o governo municipal e o estadual no combate à dengue, mas também fizeram críticas a detalhes do trabalho desenvolvido, segundo Martin.


