Desde o dia primeiro de dezembro, as córneas utilizadas em transplantes em Londrina têm sido analisadas pelos profissionais do Hospital de Olhos de Maringá (Hoftalmar), que inaugurou um Banco de Olhos local este ano.
Hoje, as córneas são retiradas em centros cirúrgicos e enviadas para o laboratório dentro de um frasco com solução própria para conservação. Feita a análise, o material retorna para Londrina, para o transplante.
''Com o Banco de Olhos teremos uma equipe para fazer a abordagem e retirada total do globo ocular, captando a córnea e a esclera (parte branca). Vamos poder analisar com mais detalhes se o destino será o transplante ou pesquisa. Todo mundo é doador em potencial'', explica o oftalmologista Sérgio Pacheco, responsável pelo Banco de Olhos londrinense.
Segundo ele, o espaço físico já existe dentro do Hospital Universitário de Londrina e alguns equipamentos também já foram adquiridos com o dinheiro liberado pelo governo federal há dois anos. Mas faltam itens como uma lâmpada de Fenda para exames de córneas, um microscópio especular e materiais menores, como caixas térmicas para transporte dos tecidos.
Pacheco recorda que a burocracia do processo licitatório fez com que parte do recurso do Ministério da Saúde, R$ 150 mil, fosse devolvido à União. ''O dinheiro foi liberado em maio de 2005 e no final de outubro foi encerrada a licitação. Mas as empresas não conseguiram reunir a documentação a tempo e não conseguimos usar o dinheiro até dezembro, quando se encerra o ano financeiro e o governo federal recolhe o dinheiro que sobra dos projetos.''
O oftalmologista relembra ainda que a criação de um Banco de Olhos em Londrina é uma idéia antiga da iniciativa privada. ''Fiz o curso para me habilitar a montar o banco de olhos em 2000. De lá para cá, venho tentando implantá-lo. A princípio não existia verba do governo e criamos um projeto para o Lions Clube. Mas quando soubemos que demoraria mais de dois anos para ser aprovado, resolvemos tentar com o governo e conseguimos sensibilizar as autoridades'', conta.
Mas enquanto Londrina ainda espera novos recursos, Maringá e Cascavel inauguraram seus bancos de olhos em menos de um ano, graças à iniciativa privada. Além das duas unidades, o Paraná conta com um banco em Curitiba.
Segundo a administradora do Hoftalmar, de Maringá, Angela Podesta, o Banco de Olhos do município começou a funcionar em outubro, ''mas o trabalho intenso será mesmo em 2008. Primeiro estamos nos estruturando''. O banco irá atender toda a região Norte e Noroeste do Paraná, entre Londrina até Cianorte e Campo Mourão. ''O hospital é quem banca a infra-estrurura do banco, que atende a demanda da Central Regional de Transplantes.''
Na região de Londrina, as córneas são recolhidas pela Central Regional de Captação e Doação de Tecidos e Órgãos, que faz a distribuição de acordo com a fila única de espera, que é de pelo menos 200 pacientes. Segundo Pacheco, este ano já foram realizados 180 transplantes, cerca de 15 por mês.
Para o oftalmologista, o mais importante é que o Banco de Olhos vai possibilitar a promoção de campanhas dirigidas para córneas, visando aumentar as doações. ''O processo atual não permite avaliar se a córnea de um doador de 70 anos pode ser transplantada em um jovem de 18 anos, por exemplo. Por isso, procura-se compatibilizar a idade do doador com a do receptor. Com o Banco de Olhos isso será possível'', acrescenta.

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