Londrina confirma caso de dengue hemorrágica
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sexta-feira, 05 de abril de 2002
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
A Secretaria de Saúde de Londrina confirmou ontem o primeiro caso de dengue hemorrágica autóctone do Paraná. A vítima é a operadora de máquinas V.S.S., 20 anos, moradora no Conjunto Vivi Xavier, zona norte da cidade, que está bem.
A jovem procurou, no dia 16 de março, a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Leonor (zona oeste) se queixando de dor de cabeça, dor nos olhos, náuseas, prostração e apresentando sangramento no nariz e manchas na pele, sintomas que levantaram a suspeita de dengue hemorrágica.
Foi realizada a Prova do Laço, exame que detectou sinais de dengue hemorrágica. A Vigilância Epidemiológica foi acionada e orientou o internamento no Hospital da Zona Norte (HZN), V. ficou internada por três dias, tomando soro e medicamentos.
Ela teve alta em 19 de março, mas no dia seguinte procurou a UBS do Jardim Vivi Xavier com dores e prostração, foi atendida e encaminhada para a Santa Casa onde ficou internada por dois dias, recebendo soro, medicação e sendo monitorada. V. passa bem e já voltou ao trabalho.
Outro caso de dengue hemorrágica no Estado foi registrado em fevereiro. A dona de casa Patrícia da Silva Moreira, 24 anos, morreu em Maringá. Ela tinha vindo de Mato Grosso com a doença.
Para o secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, a confirmação do primeiro caso de dengue hemorrágica em Londrina é preocupante. Nós vamos intensificar as ações para acabar com os focos do mosquito Aedes aegypti na cidade. Mais 300 agentes comunitários do programa Saúde da Família trabalharão em tempo integral na orientação das famílias para eliminação dos focos.
Com esse reforço passam a ser 375 agentes trabalhando no combate à doença e na orientação à população. Elson Belisário, supervisor de controle de endemias, explica que 25% dos focos estão dentro das residências. Com cinco minutos as pessoas poderiam eliminar o perigo, limpando os vasos de plantas e colocando areia nos pratinhos.
Fernandes explica que existem quatro graus da doença. No primeiro, além dos sintomas clássicos (febre, dores de cabeça, pelo corpo, nas articulações, nos olhos, febre, náusea, vômito) o doente apresenta alterações mínimas na coagulação do sangue. No segundo grau há sangramento nasal e alterações na pele por causa de problemas na coagulação do sangue. No estágio 3, há redução das plaquetas do sangue e queda da pressão arterial. E no grau 4, que é o mais grave, o doente sofre um choque e a pressão pode chegar a 0, com risco imediato de vida.
Quando recebe o tratamento adequado a mortalidade do tipo hemorrágico é de 2,5%. Se malcuidada o índice chega a 25%, explicou Fernandes. Ele disse ainda que há duas situações em que pode ocorrer o tipo mais grave da doença. O primeiro se a pessoa já teve a doença e o segundo por características individuais do doente ou porque o vírus é mais potente.
Em Londrina
504 casos suspeitos desde janeiro
36 casos confirmados
20 autóctones
No Paraná
683 casos confirmados de dengue clássica
403 autóctones
2 casos de dengue hemorrágica


