A população do Jardim Santiago (zona oeste de Londrina) assistiu atônita, no início da tarde de ontem, o atendimento do que se transformaria algumas horas mais tarde no centésimo homícidio do ano registrado na cidade. O adolescente Antônio Adriano Albano, de apenas 16 anos, conhecido por ''Didi'', foi atingido por 10 tiros quando usava um telefone público na altura do número 30 da Rua Euzébio Barbosa de Menezes. Ele morreu no pronto-socorro do Hospital Universitário (HU), cerca de duas horas depois de ser socorrido pelo Siate.
De acordo com informações colhidas no local, foram localizadas 10 cápsulas de uma arma ainda sem identificação, próximas ao corpo. Segundo um policial, as marcas no piso da calçada evidenciavam que parte dos tiros foram disparados à curta distância, depois que o menor já estava caído. Para o superintendente da 10 Subdivisão Policial, Miguel Domingues, as características do crime indicam que tratou-se de uma execução, pois houve a ''nítida intenção de tirar a vida'' do adolescente. Conforme a assessoria de imprensa do HU, o menor recebeu quatro tiros na cabeça, outros três nas nádegas e os demais atingiram os braços e as pernas.
O jovem já tinha diversas passagens pelo Centro de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) e estava sendo investigado pela polícia. Ele era suspeito de ter participado de diversos roubos e assaltos em Londrina.
Conforme uma pessoa que garantiu ter presenciado o crime, os disparos foram dados por dois rapazes, aparentemente menores de idade, que estavam em uma bicicleta. O delegado do 3º Distrito Policial, Marcelo Sakuma, confirmou essa informação e completou que o menor estava no grupo que atirou contra uma equipe de TV, no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste), no final do mês de agosto. Ele ouviu a garota que conversava com o adolescente no momento dos disparos, mas seu depoimento não acrescentou nenhuma informação importante. ''Acreditamos que pode ter sido uma briga entre gangues rivais ou então um acerto, porque o menor teria roubado a residência de uma pessoa no bairro e foi jurado de morte'', revelou.
Em comparação com o ano passado, 2002 está mais violento. No ano de 2001, o centésimo homicídio aconteceu em 21 de novembro, também na zona oeste e outra vez tendo como vítima um menor. H.C.O, de 15 anos, foi atingido por seis tiros disparados por uma equipe da Polícia Militar. Na época, a justificativa foi que o menor teria tentando fugir de uma abordagem atirando contra a viatura. Já familiares da vítima disseram, na ocasião, que os policiais ''chegaram atirando''.

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