Londrina celebra o Sagrado Coração de Jesus
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sábado, 28 de maio de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Ao perguntarmos à dona Elza Marchesini o que representa a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ela mostrará os seis filhos, contando os três adotivos, os 10 netos e os 17 bisnetos:''Só de viver 83 anos, com saúde, sem precisar tomar remédio é necessário dizer mais alguma coisa? Nós cuidamos do Coração de Jesus, Ele cuida do nosso'', testemunha.
Coordenadora arquidiocesana do Apostolado da Oração e também do movimento na Catedral Metropolitana, dona Elza é uma entre milhões de devotos católicos do Sagrado Coração de Jesus espalhados pelo mundo. Demostração de fé que em Londrina está nos alicerces da cidade, que o tem como padroeiro, praticamente desde a fundação.
Há quatro anos, a festa móvel no calendário litúrgico ganhou um feriado municipal, que em 2005 será no próximo dia 3. A programação começa dia 31, com um tríduo preparatório, às 18h30, na capela da Catedral, abrindo caminho para missas, procissão, shows de música e pirotécnico (veja programação).
Simples, mas desenhada pela vida de quem atravessou as turbulências do século passado, a profissão de fé de Elza é a mesma de outras 9 mil pessoas na arquidiocese de Londrina, somente no Apostolado da Oração, movimento que crê nas graças do padroeiro.
Uma dessas pessoas é a irmã Marta Veloso, do Instituto Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, que trabalha na Coordenação de Pastoral da Arquidiocese: ''Ao meu ver, a devoção começou quatro semanas depois da concepção de Jesus. No ventre de Maria, quando o coração humano de Jesus começou a pulsar. Desde então, a humanidade pôde imitar a bondade, misericórdia e solidariedade de Cristo'', ressalta a religiosa.
Aos pés do cruzeiro da primeira capela de Londrina, os fiéis católicos receberam a devoção, com uma imagem do Sagrado Coração, das mãos do bispo de Jacarezinho (cidade-pólo/Norte Pioneiro), dom Fernando.
Dona Elza estava lá e na época teria 11 anos de idade e se lembra da grande festa, mas quem conta esta história é o organizador geral das festividades este ano, monsenhor Bernardo Gaffá:
''Dom Fernando veio dar posse ao primeiro padre de Londrina e trouxe consigo uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, que ainda está aqui na capela e dedicou a comunidade nascente a Ele. Assim, a paróquia e a cidade têm o Sagrado Coração como padroeiro''.
O ano era 1934, mas no correr dessa história, Londrina acabou adotando a Imaculada Conceição por padroeira. ''Foi no tempo de dom Geraldo Fernandes. O governo estudava um projeto dos feriados em dias santos e o bispo quis unir a festa da Imaculada, que cai no dia 8 de dezembro, às festividades da criação do município, que era para ser no dia 8, conforme documento do interventor Manoel Ribas, mas por causa do mau tempo, a instalação acabou sendo dia 10 de dezembro'', lembra Gaffá.
O comércio e as vendas de final de ano deram uma forcinha para que a cidade não assinalasse de vermelho dois dias praticamente consecutivos no calendário, o que esfriaria o comércio.
Há quatro anos, a reparação histórica devolveu o Sagrado Coração ao altar de padroeiro.


