Londrina atrai milhares de pacientes
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de setembro de 1997
Osmani Costa 
Londrina
A estrutura hospitalar de Londrina é muito boa. Vale a pena a gente vir de longe para o tratamento aqui.
(Geremias Biancheze, 51 anos, agricultor em Ivaiporã)A futura Região Metropolitana de Londrina (RML) - que conta ainda com outros cinco municípios vizinhos - tem 25 hospitais e 82 postos de saúde. No total, são cerca de 1.100 leitos comuns e mais 101 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Só em Londrina, atuam cerca de mil médicos e outros 3.500 trabalhadores nos setores de apoio, nos hospitais públicos e privados, em clínicas e laboratórios com tecnologia de última geração.
Nos hospitais e nos órgãos públicos do setor, não há registros precisos nem como quantificar com exatidão, mas os hospitais da RML - notadamente os de Londrina - atraem mensalmente milhares de doentes de outras cidades, regiões e estados brasileiros. Há pessoas que vêm, inclusive, de países vizinhos em busca de tratamentos especializados como os oferecidos em alguns setores pelo Hospital Universitário (HU), Instituto do Câncer, Santa Casa e Hospital Evangélico - os principais e maiores da Cidade.
Todos eles - além de outros menores, como o Ortopédico, Infantil, Mater Dei, Alto da Colina e os estaduais da Zona Norte e Zona Sul - atendem gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), financiado pelo Governo Federal. A exceção é o Hospital Londrina, que fica em Cambé, pertence a uma rede particular de saúde, e cobra pelos atendimentos aos pacientes particulares ou ligados a convênios e seguros médicos.
Mensalmente são em média quase 9 mil internações e perto de 2.500 cirurgias (ver quadro). Dos 265 médicos que atuam no HU, 61 são contratados e 204 são também professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a mantenedora do hospital-escola. Os hospitais estaduais da Zona Norte e Zona Sul não possuem UTIs e, portanto, só realizam cirurgias consideradas de pequeno porte e menos complicadas.
O número de pacientes que vêm de longe, de forma anárquica, é grande e compromete nosso funcionamento
(Agajan Der Bedrossian, superintendente da Autarquia de Saú
Os dados do Hospital Evangélico compreendem também os atendimentos ambulatoriais realizados no Alto da Colina, hospital pertencente ao mesmo grupo. Os da Santa Casa são relativos ainda aos serviços prestados no Hospital Infantil, Hospital Mater Dei e no Colégio de Enfermagem Mater Ter Admirabilis, todos do complexo hospitalar da Irmandade Santa Casa de Londrina.
Das internações realizadas em hospitais de Londrina, aproximadamente 5 mil mensais são encaminhadas através da Central de Leitos (CL) da 17ª Regional de Saúde, órgão vinculado ao Governo do Paraná, que congrega outros 18 municípios da região de Londrina. A CL trabalha para organizar e racionalizar - de forma interligada por rede de computadores - a ocupação dos cerca de l.300 leitos dos 41 hospitais da região. Perto de 65% das internações realizadas através da CL da 17ª Regional são de pacientes vindos de outras cidades para os hospitais de Londrina.
O setor de saúde da Cidade, pela sua excelência, atrai naturalmente os doentes das cidades e regiões mais distantes. Temos que nos organizar para conviver com isso. Não dá para pôr uma cerca em volta de Londrina e proibir a entrada dos pacientes, afirma a médica-chefe da 17ª Regional de Saúde, Djamedes Maria Garrido. A saída é aperfeiçoar o encaminhamento através da Central de Leitos e melhorar o atendimento de saúde nas outras regiões, para diminuir esta demanda, esta procura por Londrina, que apesar de contar com bons hospitais já está meio saturada.
Segundo ela, o caminho é investir na melhoria da estrutura hospitalar e na capacitação dos recursos humanos do setor da saúde nas cidades vizinhas e em outras regionais. Este trabalho já começou por parte do Governo do Estado, e deve começar a dar resultados positivos em breve. Temos que melhorar a qualidade do serviços prestados nas outras localidades, para diminuirmos a procura pelo atendimento em Londrina, para desafogarmos um pouco este setor da saúde pública aqui, comenta Djamedes Garrido.
O superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, médico Agajan Der Bedrossian, concorda com essa avaliação. Segundo ele, aproximadamente 20% de todos os seviços médico-hospitalares prestados em Londrina são para pacientes vindos de outras regiões do Paraná e do interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e até Santa Catarina. Outros 30% dos doentes viriam dos 18 municípios da 17ª Regional; os 50% restantes seriam londrinenses.
Londrina atrai todo este universo de doentes não só porque tem boa estrutura e qualidade nos serviços prestados, mas também porque há acomodação das autoridades, há falta de interesse e de investimentos para resolver os problemas de saúde nos municípios e regiões de origem, ressalta Agajan Der Bedrossian. Falta uma melhor distribuição dos recursos do SUS por parte do Governo Federal. E às autoridades municipais maior empenho na busca destes recursos e na procura de soluções localizadas para a saúde pública. Como o serviço não é oferecido lá no município de origem, os doentes são trazidos e algumas vezes até despejados nos hospitais daqui.
A chegada descontrolada de pacientes a Londrina acaba por desorganizar e agravar o nível de atendimento prestado. Muitas vezes, a Central de Leitos não é respeitada, e acabamos tendo que atender os doentes por questões humanitárias. Nossa capacidade instalada é boa, é suficiente para Londrina e região. O problema é que o número de pacientes que vêm de longe, sem aviso prévio, de forma anárquica, é grande e acaba por comprometer nosso funcionamento, comenta o superintendente.
De acordo com ele, regiões como Maringá. Umuarama, Campo Mourão, Paranavaí e outras não têm ainda capacidade instalada no setor de saúde para atender com qualidade a população desses locais. É um absurdo. Essas cidades são referências regionais, deveriam atender e não atendem. Acabam mandando os doentes em estado mais grave para Londrina, que passa a conviver com a superlotação de seus hospitais e UTIs, reclama Agajan Der Bedrossian. É um desrespeito para com os doentes e suas famílias. Eles deveriam receber tratamento de qualidade perto de suas residências. Esse é um direito de todo cidadão e deveria ser garantido pelo Estado.
Londrina está em primeiro lugar em saúde. Quando eu preciso, venho me tratar aqui e sou sempre bem atendida. Os médicos são muito competentes e atenciosos, e os equipamentos dos hospitais funcionam muito bem. Aos conhecidos que me perguntam, aconselho a virem curar suas doenças aqui, afirma com entusiasmo a vendedora autônoma Nadir Coutinho da Silva.
Viúva e com 57 anos de idade, ela mora em Astorga - 80 km ao oeste de Londrina - e foi atendida nesta semana no Instituto do Câncer. Em abril último, Nadir da Silva havia passado por uma cirurgia na cabeça na Santa Casa, outro hospital de Londrina. Foi para a retirada de um tumor. Felizmente, tudo transcorreu bem com a operação. Tanto na Santa Casa, como aqui no Instituto do Câncer, fui sempre muito bem recebida e tratada.
Segundo a vendedora de roupas e jóias, cidades pequenas como Astorga são boas para se viver, mas não oferecem muitos recursos na hora de complicações com a saúde. Astorga possui um pequeno hospital, mas não conta com muita estrutura, com equipamentos modernos e médicos tão bons como Londrina. Por isso, os doentes precisam vir para Londrina quase todos os dias, comenta Nadir da Silva. A gente vem em uma Kombi da Prefeitura. O tratamento aqui, além de muito bom, é de graça, pelo SUS. Londrina está de parabéns.
O agricultor Geremias Biancheze, 51 anos de idade, residente em Ivaiporã - 160 km ao sul de Londrina - vem tratar da saúde em hospitais da Cidade há 18 anos. Ele já foi atendido pelo Hospital Universitário e Santa Casa, e atualmente recebe revisões periódicas no Instituto do Câncer. Agora, estou bem curado. Mas antigamente, vinha a Londrina todas as semanas, várias vezes por mês em busca de médicos, hospitais e remédios. Passei por cirurgias e crises graves, mas sempre fui muito bem atendido por todos.
Ele explica que Ivaiporã conta também com bons médicos, mas faltam hospitais bem equipados. A estrutura do setor hospitalar de Londrina é muito boa, possui recursos modernos e pessoal capacitado. Por isso, vale a pena a gente vir de longe para o tratamento aqui, avalia o agricultor. Biancheze e outros doentes vêm para Londrina em Kombi da Prefeitura que sai de Ivaiporã às 6 horas, diariamente. Depois de serem atendidos nos hospitais da Cidade, eles voltam para Ivaiporã no início da noite.


