A violência em Londrina, este ano, já chegou aos três dígitos. Ontem pela manhã, morreu no Hospital Universitário (HU) o jovem Rafael José Rodrigues, 18 anos, que havia sido baleado num bar no Conjunto Novo Perobal, na Zona Sul da cidade, no último domingo. Com esta, Londrina computava até o início da noite de ontem 100 homicídios desde o dia 1º de janeiro.
Segundo o delegado José Arnaldo Peron Martins, do 4º Distrito Policial (DP), testemunhas relataram que Rodrigues estava no bar e foi abordado por três homens, que atiraram em sua direção. Ele foi atingido na cabeça e em uma das pernas. Internada em estado grave no HU, não resistiu. O sepultamento será hoje, à 9h15, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte de Londrina).
Peron informou que conversou com o pai de Rodrigues, e este teria dito que o filho não tinha problemas com drogas nem inimizades. O delegado disse que já há um suspeito do crime.
A notícia do assassinato gerou surpresa na cidade, principalmente porque Londrina atravessava um período de relativa calmaria: o 99º homicídio aconteceu há mais de duas semanas. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, afirmou que a Polícia Civil computava no início da noite de ontem 97 homicídios. A diferença seria resultante de dois fatos: a polícia não contabiliza como homicídio um latrocínio praticado no município e duas mortes que constam da lista mantida pelos órgãos de imprensa não aparecem na relação da chefia da 10 SDP.
André alegou que, apesar das manifestações de preocupação, a violência tem diminuído em Londrina. Em 2003, de 1º de janeiro a 4 de agosto, foram praticados 134 assassinatos na cidade. ''Esta diminuição ocorreu porque a comunidade e a mídia estão nos ajudando. A comunidade porque está passando informações através do Disque Denúncia, e a mídia, porque está mostrando nosso trabalho. Temos dificuldades no dia-a-dia, na questão de recursos, que todos conhecem, e sem essa interação com a sociedade não há como fazer segurança pública'', comentou o delegado-chefe.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, deu à Folha uma declaração de teor semelhante. ''O ideal era que o número de homicídios caísse ainda mais, mas esta queda já é significativa. A comunidade está denunciando e isso inibe os criminosos'', afirmou.

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