Londrina amplia coleta seletiva de lixo
Silvana Leão
De Londrina
A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) pretende ampliar, em breve, os serviços de coleta seletiva de lixo em Londrina, implantados em novembro de 1996. Ontem, o presidente da autarquia, Rubens Canizares, esteve em Curitiba para conhecer de perto o sistema adotado há dez anos na capital e formalizar o repasse de verba de R$ 200 mil conseguidos através do gabinete do deputado estadual Moisés Leônidas (PDT). O dinheiro será utilizado para instalação de mais quatro centrais de triagem de lixo no município.
Também está sendo desenvolvido pela Secretaria de Administração o projeto de ampliação da área utilizada pelo atual depósito de lixo, na zona leste da cidade. O aumento é necessário para que seja estruturado o aterro sanitário, construída uma nova lagoa de tratamento de chorume (a atual está no seu limite) e instalada a usina de compostagem e reciclagem de lixo, adquirida ainda na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida e até hoje guardada na fábrica, em Cornélio Procópio.
O processo de desapropriação da faixa de terra de aproximadamente três alqueires junto ao lixão pode ser finalizado até o final do mês, caso o proprietário aceite um acordo amigável. De acordo com o diretor de patrimônio da Secretaria de Administração, Claudemir Vilalta, o proprietário fez uma proposta que teria sido recusada pela AMA. Estamos aguardando o retorno do processo com a informação oficial, para tentarmos a desapropriação de maneira amigável. Se isso não for possível ela será feita por via judicial, com emissão de posse, explicou.
Para a ampliação, a prefeitura vai contar com verba de R$ 250 mil do governo estadual, que está estendendo o programa de coleta seletiva e reciclagem de lixo implantado em Curitiba para metade dos municípios do Estado.
Atualmente, apenas 20% da área física do município (na região central e zona leste) recebe coleta seletiva de lixo. O objetivo da atual administração da AMA é aproveitar totalmente o lixo reciclável que sai das casas dos londrinenses, o que poderá ser conseguido com a instalação das novas centrais de reciclagem.
As centrais deverão ser instaladas no sistema de cooperativa, como já acontece com a Cooperoeste, localizada no Parque Universitário, que recebe em torno de 25% do total de lixo reciclável coletado na cidade. A Central de Triagem de Coleta Seletiva da AMA, por enquanto, recebe todo o restante.
Segundo o presidente da AMA, Rubens Canizares, o programa de ampliação de coleta seletiva também prevê o aumento do barracão da central de triagem e compra de equipamentos. Os recursos para isso deverão ser obtidos com o leilão de material reciclável, marcado para a próxima sexta-feira, às 14h30, na sede da autarquia, localizada no Parque Arthur Thomas. Serão leiloadas 150 toneladas de papelão, vidro, alumínio, plástico e tampas PET, que atualmente encontram-se armazenadas na central de triagem.
Os moradores de regiões onde é feita a coleta seletiva também deverão voltar a receber os sacos de lixo, como forma de incentivo à separação dos materiais. A distribuição de sacos plásticos chegou a ser feita no início do programa, mas acabou sendo suspensa por falta de verbas.
Quanto aos Postos de Entrega Voluntária (PEVs) grandes tambores contendo divisões para papel, metal, vidros e plástico, em diferentes cores, onde a população deposita espontaneamente estes materiais existentes nas regiões central, centro-sul, centro-oeste e parte da região oeste da cidade, Rubens Canizares afirma que deverão permanecer, mas lembra que a coleta feita através deles representa 10% apenas do lixo recolhido já separado. A função dos PEVs é mais educacional, afirmou.
Para Canizares, a instalação da usina de compostagem e reciclagem não foi instalada ainda por falta de uma política ambiental no município. Faltou vontade política da outra diretoria, disse. Os equipamentos da usina custaram R$ 1,2 milhão e estão parados há mais de quatro anos. De acordo com Rubens Canizares, seriam necessários R$ 500 mil para colocá-los em funcionamento.
A SITUAÇÃO HOJE
- Londrina produz aproximadamente 400 toneladas de lixo por dia e 180 toneladas por mês de lixo reciclável.
- Os equipamentos da usina de reciclagem e compostagem custaram R$ 1,2 milhão e o investimento para instalá-los é de R$ 500 mil.
- A usina de reciclagem térmica de lixo custaria em média R$ 160 milhões.





