Londrina aguarda credenciamento de UTI
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A paciente Alvelina Lourenço Francês, 65 anos, permanece internada no Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Ele foi transferida anteontem à tarde, após aguardar mais de 14 horas na sala de emergência do Hospital da Zona Sul, por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar de o caso ser considerado grave, o quadro da paciente era estável. ''Ela ainda corre risco de morte porque o quadro de pneumonia está mantido, mas estou mais tranquila agora que está tendo o atendimento adequado'', declarou a filha da paciente, Idelma Francês.
Este caso é mais um dos que ocorrem na cidade por falta de vagas em UTIs. O problema deverá ser minimizado com o credenciamento de novas vagas, anunciada pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, em visita a Londrina, em maio. Na ocasião, ele anunciou o credenciamento de 112 vagas para o Paraná, que passaria dos 868 leitos para 990. Incluindo os leitos da iniciativa privada, serão 1.088 no total.
Londrina possui hoje 83 leitos de UTI credenciados, divididos entre os hospitais Universitário (29), Evangélico (25), Santa Casa (24) e Instituto do Câncer (6). A estatística inclui as unidades pediátricas e neonatal. Segundo autoridades da área, o número é insuficiente. ''A cidade é um pólo macroregional e atende uma população de 1,8 milhão de habitantes'', afirmou o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, destacando que o número de leitos existentes seria suficiente para atender a área de abrangência da 17 Regional de Saúde 20 municípios (cerca de 800 mil habitantes).
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, disse ter protocolado ontem um pedido de ampliação de leitos, além dos 122 previstos para o Estado, que seriam destinados a Londrina. A proposta de aumento é baseada em estudo, elaborado pela secretaria, sobre o número de leitos disponíveis em cada hospital e a necessidade atual.
Segundo o diretor de Sistemas de Saúde da Secretaria Estadual da Saúde, Mario Lobato, o objetivo é zerar o déficit de leitos de UTI. Para isto, o Estado deverá custear a implantação de mais 50 vagas e pedir, junto ao ministério, a ampliação das destinadas ao Paraná e verbas para equipamentos. ''Assim que o governo Federal liberar o recurso de custeio, o funcionamento deverá ser imediato'', disse, sem especificar prazo. Na próxima semana, o Estado vai encaminhar à esfera federal planilha com estudo sobre as necessidades de novas UTIs.
Uma sugestão de Fernandes é a criação de mais unidades intermediárias, que são mais baratas e liberariam as UTIs para os pacientes mais graves. Segundo ele, além da escasse de leitos, existe o problema da falta de critério para utilização. ''Não podem ocorrer casos de pacientes não graves ocuparem espaço nas UTIs'', enfatizou.
Para o diretor geral do HE, Antonio Carlos Ribeiro, as despesas de manutenção são o principal empecilho contra a expansão das vagas. ''O custo diário de cada paciente internado em UTI é de R$ 1 mil. O repasse do SUS (Sistema Único de Saúde) é de apenas R$ 280 por dia.''


