Lombadas contra excesso de velocidade
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Proibidas pelo Código Nacional de Trânsito aprovado em 1997, as lombadas ainda fazem parte da paisagem dos bairros de Londrina. E ainda são apontadas por muitos como uma boa opção para impedir abusos de velocidade e reduzir o número de acidentes. Em locais onde a circulação de crianças ou idosos é intensa, a preocupação é ainda maior.
O excesso de velocidade é a principal dor de cabeça para a diretora Regina Maria Matos Pierotti, da Escola Municipal Moacyr Camargo Martins, localizada na Avenida Francisco Gabriel Arruda, no Jardim dos Estados (Zona Norte). A circulação das crianças é maior pelo portão dos fundos, na Avenida Santo Magrini. Muitos estudantes, no entanto, atravessam a via na altura das lombadas, que estão praticamente abandonadas.
O problema é que os obstáculos estão praticamente afundados devido ao intenso tráfego, especialmente de ônibus. Tanto que alunos da escola já foram atropelados no local. A solução, na opinião de Regina, é melhorar a sinalização vertical e refazer a pintura das lombadas. ''Se as lombadas não fossem tão perto do portão também seria melhor'', opina.
Para o comerciante Luciano Moraes, 33 anos, proprietário de um bazar na avenida há 1,5 ano, as lombadas precisam passar por reforma completa. Com a situação atual, os motoqueiros desviam da elevação e passam perto da sarjeta. Assim não são obrigados a reduzir a velocidade e quase acertam quem está parado no ponto de ônibus. ''O movimento é grande. A área comercial cresceu e ninguém mais respeita essas lombadas.''
Um exemplo de trecho bem sinalizado pode ser encontrado próximo ao bazar e à escola. Na Avenida Winston Churchill, a elevação na pista é suave e o motorista é alertado por placas próximas e ao lado do obstáculo. A conquista da comunidade do Jardim Ouro Verde (Zona Norte) não veio de ''mão beijada.'' Foram necessários protestos, fechamentos da via e a construção de uma lombada por conta própria. ''Botamos uma lombada de concreto e só assim se resolveu a situação. Como não fizeram, fizemos por nossa conta'', relembra o borracheiro José Martins Carvalho, 51.
Problema antigo
A sinalização considerada adequada pela comunidade da Winston Churchill é a principal reivindicação dos moradores de outros pontos da cidade. Um exemplo é Avenida Lúcia Helena Gonçalves Viana, uma das principais vias de ligação entre a Zona Norte e o Centro. As lombadas da via são armadilhas para o motorista desavisado, que não está acostumado a circular pela avenida, uma vez que a pintura é praticamente inexistente. A consequência mais imediata da combinação entre sinalização deficiente e alta velocidade são os acidentes.
O estabelecimento comercial de Nilva AcuÀa, 32, foi atingido por veículos duas vezes nos últimos anos. Para ela, com a atual situação de abandono, os obstáculos mais atrapalham do que auxiliam a ordenação do tráfego. ''Aqui os carros correm muito. O quebra-molas é bom, mas tem de ser bem cuidado.''
Na Zona Oeste, a Avenida Arthur Thomas conta com obstáculos que não mais podem ser considerados lombadas. São baixos e os tachões que os cercavam praticamente não existem mais. Um prato cheio para os motoristas que não querem reduzir a velocidade. ''Se for para ter lombada tem que ter uma de verdade'', cobra o eletricista automotivo Daniel Martins dos Santos, 23.


